Redução de álcool vai agravar efeito estufa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Roberta Pennafort Agência Estado Do Rio de Janeiro 
Cerca de dois milhões de toneladas a mais de gás carbônico - um dos causadores do efeito estufa - passarão a ser lançados na atmosfera anualmente, por causa da redução em 4% da quantidade de álcool misturada à gasolina determinada pelo Governo Federal. Os cálculos são da pesquisadora Laura Mattos, da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e foram feitos com base nos 900 milhões de litros de álcool que deixarão de ser consumidos com a medida.
Com a diminuição do nível de álcool na gasolina de 24% para 20%, o volume de dióxido de carbono vai aumentar 5,3% (totalizando 2.126 toneladas por ano), estimou a pesquisadora - que é membro do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais. O estrago ambiental causado por essa iniciativa será muito grande, afirmou Laura. Considerando o impacto no efeito estufa, pode-se considerar que o álcool tem emissão zero, enquanto a gasolina é bastante danosa. Segundo Laura, o gás carbônico produzido pela queima do álcool é capturado pelas plantas no processo fotossintético.
A pesquisadora fez parte da equipe da Coppe que, a pedido da prefeitura do Rio, realizou o inventário de emissão de gases de efeito estufa (o principal além do dióxido de carbono é o gás metano) no município do Rio de Janeiro, em 1998. A análise mostrou que o transporte rodoviário é o maior emissor de tais gases, com 30% do lançamento total (16% dos carros particulares e 14% de ônibus e transportadores de cargas).
Para o presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph Junior, a redução da quantidade de álcool junto à gasolina não causará mudanças significativas na potência e no consumo de combustível dos veículos.
Segundo ele, os motores fabricados para o mercado nacional foram feitos para um combustível com 22% de álcool, mas existe uma faixa de tolerância que impede que haja impacto nesse sentido. Ele disse que, caso o governo decida baixar ainda mais o nível de álcool, a poluição da atmosfera causada pelos veículos aumentará consideravelmente.


