Redução da Selic quebra barreira psicológica, diz Giambiagi
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Paula Puliti 
São Paulo, 29 (AE) - O gerente do Departamento Econômico do BNDES, Fábio Giambiagi, disse hoje que a decisão do Banco Central de reduzir a Selic para 18,5% ontem, quebrou uma forte barreira psicológica que era a dos juros em 19%. Segundo ele, toda vez que a taxa chegava nesse patamar, voltava a subir. Agora, segundo ele deve haver reduções em todas as próximas reuniões do Copom, nos próximos dois anos. Ele acredita que a Selic cairá cerca de 3 pontos percentuais ao ano, chegando ao final de 2002 em 12,5%. Essa projeção, segundo ele, se concretizará se mantidas as atuais condições da economia brasileira, com inflação em queda, melhoria da balança comercial
aumento das reservas internacionais e melhoria das contas fiscais.
Na avaliação de Giambiagi, a TJLT também vai cair. Ele aposta em uma redução de 0,5 ponto percentual a cada trimestre. A queda dos juros deverá ter impacto bastante positivo no déficit nominal do governo, que atualmente é o menor desde 1981, de acordo com o economista.
Na avaliação do economista-chefe do BBV Brasil, Octávio de Barros, a redução na Selic já era esperada e pode haver uma redução de até meio ponto percentual nas taxas de juros na próxima reuniçao do Copom. Isso porque o IPCA de março será de 0 25%, segundo ele, o índice que corresponde à metade do consenso entre os economistas (0,5%).
Ele acredita que com a queda nos juros o real poderá até registrar alguma desvalorização. Winston Fritsch, presidente do Dresdner Bank Brasil, também confirma que a redução na Selic já era esperada, pois os indicadores de inflação e os números fiscais eram um cenário confortável para o Banco Central. Ele acredita que, embora as notícias sobre o petróleo não sejam tão boas, o Banco Central foi coerente ao esperar a divulgação de alguns números da economia e fazer uma queda mais acentuada dos juros, em vez de fazer uma "quedinha" sutil na reunião da semana passada.


