Redução da pobreza diminui meta do Bolsa Família
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome decidiu redimensionar a meta de atendimento do Bolsa Família, reduzindo em 1 milhão o número de famílias que devem ser incluídas no programa. Isso porque, os dados usados como base foram atualizados, mostrando que o percentual de pobres representa agora 21,4% do total de famílias brasileira e não mais 23,6%. A nova meta é de 11,1 milhões de famílias. Atualmente, pouco menos de 8,8 milhões são atendidas.
O Paraná foi um dos estados que contribuíram para essa redução. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad/2004), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população pobre diminuiu em 20% em relação à pesquisa feita em 2001 e que era usada pelo ministério como referência para os programas de transferência de renda. Rondônia, com -22%, e Santa Catarina (-21%) também aparecem entre os estados em que houve redução na população pobre.
Já em outros estados, a atualização mostrou acréscimos significativos na população considerada pobre. O Amapá, por exemplo, terá o dobro da estimativa de pobres das atuais 19,3 mil famílias. Em seguida vem Roraima com um aumento de 32% da população pobre, Maranhão com 13% e São Paulo com 4%.
Com a atualização dos dados, o Ministério do Desenvolvimento Social passa a considerar extremamente pobres famílias com renda mensal per capita de até R$ 60 e pobres aquelas situadas entre R$ 60,01 e R$ 120. Por essa razão, o limite de renda para a inclusão no Bolsa Família foi corrigido em 20%, com base no Índice Nacional de Preços aos Consumidor (INPC).
Famílias com renda per capita de até R$ 120,00 terão direito a requerer o benefício, enquanto hoje o valor é de R$ 100,00 por pessoa. É o primeiro reajuste de critério de entrada desde a criação do programa, em outubro de 2003. A definição sobre reajuste do valor do benefício que hoje varia de R$ 15 e R$ 95 ainda está em discussão. As mudanças devem valer a partir de maio.
Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério do Desenvolvimento Social assegurou que a redução na meta não representa, necessariamente, corte no número de famílias beneficiárias. O ministério considera a estimativa de famílias pobres como teto para seleção. Somente serão excluídas do programa, as famílias que não atenderem os critérios de renda. O Bolsa Família repassou aos estados, em março, quase R$ 544 milhões.


