De 180 redes sem fio detectadas no cruzamento entre o Calçadão e a Rua João Cândido neste sábado pela manhã, no centro de Londrina, 20 delas não precisavam de senhas para utilizar. Ontem, grupos do projeto de extensão Redes Sem Fio, da Faculdade Pitágoras, percorreram as ruas do centro da cidade para verificar a quantidade de redes Wi-Fi espalhadas por residências e estabelecimentos comerciais e também para checar o nível de segurança delas. Muitas não exigiam senhas para o acesso, o que representa um grande risco para a segurança de seus usuários.
Essa é a segunda vez que o grupo realiza este levantamento. Em 2014, segundo o professor Emerson Rosa, que coordena o projeto junto ao professor Wagner Berto, foram encontradas cerca de 6 mil redes sem fio no quadrilátero entre as ruas Duque de Caxias, Leste-Oeste, Higienópolis e JK. Destas, cerca de 200 eram inseguras. Para saber se o número de redes Wi-Fi com riscos de segurança aumentou ou diminuiu esse ano, o projeto iniciou este novo levantamento. O resultado final deverá ser divulgado no dia 24 em um evento da área de Tecnologia da Informação na cidade.
O professor Rosa alerta que, se o usuário não configura sua rede Wi-Fi para exigir senhas, ela pode ser facilmente acessada por outras pessoas, e não se pode garantir que todas elas tenham boas intenções. Os riscos envolvem não só a queda do desempenho da rede - pelo fato de muitos usuários a estarem utilizando ao mesmo tempo -, mas também a captura de dados pessoais ou empresariais por pessoas mal-intencionadas que exploram a rede desprotegida.
Já existem vários relatos de cibercriminosos que sequestram dados de empresas e pedem um "resgate" em troca, conta o professor da Faculdade Pitágoras. Mas usuários domésticos também podem ter sua privacidade ameaçada se esses criminosos virtuais tiverem acesso aos seus dados confidenciais ou às suas fotos íntimas, por exemplo. "Hoje em dia as pessoas tiram muitas 'selfies' e correm o risco de alguém pegar essas fotos e pedir dinheiro por elas", explica Rosa.
Os riscos de segurança atingem não só os donos das redes, mas também quem se conecta a uma rede sem fio aberta em busca de internet gratuita. Durante o levantamento, os grupos do projeto encontraram, por exemplo, redes Wi-Fi com nomes chamativos, como "Wi-Fi Gratuito", e que não exigiam senha de acesso. Diego Requia, estudante e integrante do projeto, alerta, entretanto, que muitas dessas redes podem servir como "chamarizes" para criminosos virtuais obterem os dados pessoais dos usuários incautos. "Servem como 'iscas' para o usuário se conectar."

PROTEJA-SE

Conforme explica Rosa, a melhor maneira de proteger a rede sem fio residencial ou comercial é adotar padrões de criptografia (segurança) do tipo WPA ou WPA2, e senhas fortes, extensas e que combinem letras, números e caracteres especiais. O padrão do tipo WEP hoje é considerado o mais inseguro, por utilizar um nível de criptografia muito baixo. "O WEP é uma criptografia fácil de ser quebrada. Em laboratório conseguimos quebrar em questão de minutos."
"As pessoas precisam saber que a segurança delas é o mais importante. Por isso é necessário que ela tenha um computador bem configurado, com firewall e antivírus instalados e redes sem fio com senhas fortes", finaliza o professor. Ao buscar uma rede Wi-Fi aberta, é importante se certificar de sua procedência antes de se conectar. Mas, de maneira geral, o melhor é utilizar as redes 3G ou 4G em ambientes públicos, principalmente para acessar informações pessoais ou confidenciais na internet.

PROJETO

O projeto de extensão Redes Sem Fio, da Faculdade Pitágoras, teve a participação de cerca de 25 alunos dos cursos do Núcleo de Engenharia e Tecnologia da instituição. Além da pesquisa em campo, o projeto, que é gratuito, inclui aulas teóricas em laboratório.

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