São Paulo, 26 (AE) - Os serviços de engenharia, obras e a compra de equipamentos para a expansão das redes de TV a cabo no País devem movimentar cerca de US$ 600 milhões ao ano até, pelo menos, 2003, depois de dois anos em que as duas principais empresas do ramo no País - a TVA e a Globocabo - não fizeram investimentos. Com as novas licenças emitidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a expectativa da indústria de infra-estrutura era que o mercado de TV a cabo gerasse cerca de US$ 1 bilhão ao ano, mas a desvalorização do real prejudicou as previsões.
O diretor de Sistemas da Furukawa, Foad Shaikhzadeh, informou que a exigência da Anatel é de construção de 10% da rede por ano. "Alguns grupos tinham problemas de ordem financeira, mas a impressão é que vão conseguir", afirmou Shaikhzadeh. A Furukawa é líder do mercado de turn-key para redes de TV a cabo, com 70% dos contratos, e tem 30% das encomendas de cabos óticos do País.
Parte dos equipamentos utilizados na construção das redes vem, no entanto, do exterior, pressionando a balança comercial. Os cabos coaxiais rígidos, por exemplo, têm sido importados da americana CommScope, que tem liderança mundial com 70% desse mercado. Segundo informações divulgadas pela CommScope
a empresa vai faturar mais de US$ 11 milhões em apenas três contratos firmados com o Brasil este mês. "O mercado de telecomunicações brasileiro está passando por uma transformação excepcional, tem um potencial incrível e já é o principal centro de negócios da América Latina", disse o vice-presidente internacional da CommScope, Frank Logan.
Segundo Shaikhzadeh, para cada dólar de cabo importado são comprados no exterior US$ 2,50 ou US$ 3,00 em equipamentos de rede. Portanto, considerando apenas os três contratos anunciados pela CommScope, o Brasil poderá estar importando US$ 44 milhões num período de aproximadamente três anos. Um estudo do BNDES divulgado recentemente alerta que o ingresso da TV a cabo no serviço de Internet pode gerar também importações de cable modems no valor de US$ 100 milhões também em três anos.
O diretor da Furukawa esclareceu que a produção local de cabos coaxiais rígidos, utilizados no cabeamento de rua, por exemplo, é inviável não existe demanda nacional que justifique os investimentos. Segundo Furukawa, os cabos têm uma capa de proteção de alumínio muito grossa, que implica em investimentos elevados em matéria-prima.
A Furukawa também está atendendo os três contratos para os quais a CommScope estará fornecendo cabos coaxiais. O projeto mais ambicioso é o da Adelphia Brasil, empresa de capital parcialmente americano, que venceu licitação para operar TV a cabo em 13 cidades dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Rondônia e Santa Catarina. A Adelphia está entre as maiores empresas de TV a cabo nos Estados Unidos.
A rede bidirecional da Adelphia terá 6.000 quilômetros, comprando US$ 4 milhões em cabos coaxiais da CommScope e contratando solução turn-key da Furukawa orçada em R$ 25 milhões somente para a primeira fase. A Adelphia já tem operações de TV a cabo em Pelotas e Rio Grande (RS).
Outro projeto importante da Furukawa é com a Infovias, da qual a Cemig tem 49% do capital, orçado em US$ 70 milhões para construir uma rede de 3.500 quilômetros passando por dez cidades em Minas Gerais. A CommScope vai receber mais de US$ 3 milhões pelos cabos coaxiais. A Brasil Telecom, sociedade de investidores mineiros, vai explorar a rede da Infovias para prestar o serviço de TV a cabo. Segundo Shaikhzadeh, será uma rede "topo de linha".
Para a Horizon, constituída por fundos de investimentos americanos, a Furukawa fornecerá apenas os cabos óticos e a CommScope reberá mais de US$ 4 milhões pelos cabos coaxiais passando por 15 cidades em São Paulo, Rio e Amazonas. A rede da Horizon deve passar por 800 mil residências e entrar em operação ainda este ano.

mockup