Curitiba- O VII Congresso Nacional da Rede Unida termina hoje, em Curitiba, com a aprovação de um documento, que trará uma série de sugestões a serem encaminhadas aos governos federal, estaduais e às universidades. Entre as recomendações, os 2,5 mil participantes, entre profissionais da saúde, estudantes e usuários, pedem mudanças na formação acadêmica dos profissionais da área e prioridade para ações que venham humanizar as políticas públicas de atendimento da saúde.
''É preciso rever o método de ensino para formar profissionais mais adequados à realidade do século XXI, mais completos, preparados para trabalhar em equipe e sensibilizados para entender uma doença'', diz Márcio Almeida, coordenador Nacional da Rede Unida. Uma das críticas, segundo ele, é que a maioria das escolas preocupa-se apenas com a formação técnica do aluno. ''E a doença não é só biologia, tem também o aspecto psicológico, sociológico do paciente'', explica.
Almeida acredita que as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas na década de 90 foram uma conquista importante, mas ainda há o desafio colocar essas mudanças em prática. ''São mudanças que implicam pessoas. São 280 mil profissionais de carreira, mais de 1 milhão de alunos. Não queremos discutir só conhecimento, o aluno tem que ser protagonista, ser mais comprometido eticamente com a profissão'', afirma.
Em todo País, há cerca de 2,8 mil cursos dentro das 14 áreas de graduação da saúde. Hoje, segundo ele, 22 escolas de medicina do País aderiram a uma nova tendência, que prevê que já a partir do 1º ano os alunos tenham contato com a população alvo, em postos de saúde, por exemplo. Outras 130 continuam com o método tradicional de ensino.
O médico Paulo Buss, presidente da Fundação Osvaldo Cruz, concorda. ''Saúde não é só uma questão biológica'', diz. Em sua conferência sobre ''Promoção da saúde: um ideário em construção'', Buss falou sobre as responsabilidades individuais e do Estado que podem o prolongamento da vida com qualidade, ou seja, com saúde.
No aspecto individual, ele cita ações como o não uso de tabaco, de álcool, adoção de dieta balanceada, realização de exercícios físicos e submissão a exames preventivos. ''É aí que entram as políticas públicas. É preciso ter políticas de geração de renda, trabalho, de saúde, habitação para que esse potencial de saúde possa se materializar'', afirma.
A Rede Unida é um movimento social que reúne pessoas, projetos e instituições comprometidos com os movimentos de mudança na formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde e na construção de um sistema de saúde eficaz com forte participação social. Uma das preocupações é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que realiza anualmente 1 bilhão de procedimentos de atenção primária à saúde, 12 milhões de internações hospitalares, 150 milhões de consultas médicas e 2 milhões de partos, entre outras intervenções.

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