Rede pública tem projeto para detectar distúrbio
Em Londrina, um projeto em parceria com as secretarias de Educação e Saúde ajuda na detecção do TDAH em crianças que estudam de 1 à 4 séries na rede pública municipal. É o projeto Tempo de Aprender, que funciona desde 2003 e no ano passado detectou o distúrbio em 128 crianças.
Segundo a neuropediatra Fabianne Freitas Peres, o projeto funciona com um trabalho multidisciplinar. As professoras da rede indicam quais são as crianças que estão com problemas de aprendizado e uma equipe de psicopedagogos e psicólogos vai até a escola e faz uma avaliação dentro da sala de aula. A partir disso, a criança é encaminhada para uma consulta com a neurologista. Os pais também são convocados para a consulta, momento em que a profissional vai saber mais como é o comportamento da criança dentro de casa. Depois de toda essa avaliação é feito o diagnóstico, e nos casos em que é indicado o medicamento, que é fornecido pela Secretaria de Saúde.
Através desse processo são detectados outros distúrbios além do TDAH. Casos, por exemplo, de dislexia, discalculia e mesmo deficiência mental leve. ''Às vezes é só um distúrbio de comportamento, o problema é só dentro de casa, e a criança não tem TDAH'', explicou. No ano passado, dos 297 pacientes atendidos pelo projeto, 43% tinham TDAH. Hoje, segundo a neuropediatra, 76 pacientes estão sendo medicados com o metilfenidato.
A médica informou que o restante dos pacientes com TDAH (52) ou estão aguardando para iniciar o tratamento, ou estão tomando outro tipo de medicamento, como antidepressivos. Ela explicou que apesar de ser raro a criança não se adaptar ao metilfenidato, um dos critérios para ministrar o medicamento é se perguntar se o TDAH está atrapalhando a vida da criança ou interferindo no seu desenvolvimento. ''Tem crianças, por exemplo, que só usam o remédio nos dias e horários de ir para a escola''.(C.P.)





