Rede pública poderá ficar sem remédios
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 19 (AE) - O ministro da Saúde, José Serra, alertou hoje que poderão faltar remédios contra aids, hemoderivados e insulina nos hospitais da rede pública, a partir de outubro, caso o ministério não receba R$ 218 milhões de suplementação orçamentária. A maior parte desses medicamentos, segundo ele, é importada e subiu de preço em cerca de 50% por causa da desvalorização cambial no começo do ano.
"Se não houver suplementação, vão faltar remédios", afirmou Serra, após anunciar a compra de 2 milhões de preservativos femininos pelo governo para difundir, no País, o uso desse novo recurso contra doenças sexualmente transmissíveis (DST), em especial a aids. A distribuição será feita a partir de outubro, por Organizações Não-Governamentais (ONGs), para prostitutas e outros grupos de risco.
Mas o programa de DST-Aids do ministério é justamente o mais ameaçado pela falta de verbas. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri, são necessários R$ 147 milhões para garantir até o fim do ano a compra desses medicamentos, a maioria importados. No caso dos hemoderivados (100% importados) e da insulina, serão necessários mais R$ 71 milhões
Barjas Negri disse que o pedido de suplementação foi feito em março à área econômica. Segundo ele, cerca de R$ 100 milhões podem ser liberados por decreto pelo próprio governo, o que daria um ou dois meses de fôlego para o ministério. O restante da verba, no entanto, depende da aprovação do Congresso. "Minha preocupação é que demore muito para ir ao Congresso", afirmou o secretário-executivo, informando que os estoques desses remédios têm duração de três meses.
Camisinha - Serra descartou a possibilidade de o governo promover uma distribuição em larga escala do preservativo feminino, a exemplo do que é feito com o preservativo masculino. O motivo é o preço: enquanto uma camisinha masculina custa R$ 0 04 para o governo, a feminina sairá por R$ 1,00. "É um custo impossível de ser absorvido", disse o ministro.
Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde revelou que 70% das mulheres brasileiras aprovam a novidade. O estudo ouviu 2.453 mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Porto Alegre, São Vicente (SP), Rio, Belo Horizonte, Goiânia e Cabo. A pesquisa durou três meses.
Segundo o estudo, apenas 10% das mulheres reclamaram da dificuldade de manuseio do preservativo, o que chegou a surpreender o ministro Serra. "Não deve ser tão difícil quanto eu imaginava", disse Serra, para quem o preservativo feminino ajuda a democratizar as relações sociais. "Trata-se de um instrumento contra a submissão."


