Curitiba- A carência de pediatras na rede pública de saúde do Paraná compromete a qualidade do atendimento a crianças e adolescentes e o que é mais grave: induz a condutas erradas na prescrição de medicamentos e procedimentos desnecessários. A conclusão é do pediatra do Hospital Evangélico, Gilberto Pascolat, que participou, ontem, em Curitiba, de uma reunião do Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), onde o tema assistência à sa© úde foi discutido.
Para Pascolat, os médicos pediatras que atuam nas unidades básicas de saúde ou em hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente no Interior, ficam na rede pública somente até se estabelecer profissional e financeiramente. ''Não dá para generalizar. Mas a falta de recursos e de investimentos nos recursos humanos para remunerar melhor os profissionais é um dos grandes problemas da ineficiência no atendimento às crianças'', declarou. Segundo ele, os pediatras das unidades de saúde de Curitiba ganham R$ 1,3 mil por jornada de quatro horas. Já o valor pago pelo SUS é de R$ 2,00.
A Prefeitura de Curitiba informou que o déficit de médicos nas unidades existe e é generalizado entre as especialidades. O problema estaria sendo resolvido com a contratação de 174 profissionais 32 deles pediatras a partir de junho. Em relação ao salário, já foi aprovada uma gratificação especial, que varia de 80% a 100% dos ganhos.
A presidente do Cedca, Telma Alves de Oliveira, disse que na reunião foram elencados vários outros problemas como dificuldades nos atendimentos de média e alta complexidade. A falta de diagnóstico precoce e a demora no tratamento de cardiopatias que atinge 15 entre cada 1,5 mil nascidos vivos é um dos exemplos dessa dificuldade, lembrou ela.
Também foram apontados como problemas urgentes a não universalização de vacinas contra hepatite B e varicela, que no ano passado vitimou duas crianças em Curitiba; e a falta de leitos para tratamento e desintoxicação de dependentes de drogas.

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