Ribeirão Preto (SP), 29 (AE) - De olho numa demanda reprimida, grupos internacionais e empreendedores locais estão investindo pelo menos R$ 45 milhões até o final do ano 2000 no segmento hoteleiro da região de Ribeirão Preto. Segundo estudos feitos pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão, os investimentos tentam reduzir a taxa média de ocupação anual das vagas disponíveis nos hotéis da região, considerada uma das mais altas do país.
O estudo determinou que, enquanto a média de ocupação anual é de 45%, na região ela fica em torno dos 75%, podendo chegar a até 85%, como é o caso de São Carlos, por exemplo.
Para fazer o levantamento, economistas da FEA levaram em conta ocupação diária por ano em cada um dos hotéis da cidade durante o ano todo e tiraram uma média. "Em época de feiras como a Agrishow por exemplo, os hotéis ficam completamente lotados num raio de 120 quilômetros", lembrou o delegado regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)
Eduardo Molina. Para ele, existe um maior interesse por parte dos investidores em relação ao público formado por executivos e pesquisadores. "Ribeirão Preto e São Carlos, além de possuírem uma série de empresas que recebem visitas e realizam eventos econômicos, possuem uma ampla rede de universidades, que promovem congressos, além de receberem pesquisadores e professores do mundo todos durante o ano inteiro", explicou.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de São Carlos, Guirlei Medeiros, a população flutuante do município de 120 mil habitantes, é de aproximadamente 15 mil pessoas. O índice de ocupação das vagas nos hotéis da cidade é um dos mais altos do país,atingindo 85% no ano. "É um contingente que consome em nossos restaurantes e que precisa ter onde ficar", disse. Hoje o município possui 22 hotéis e motéis e se prepara para receber outros três novos empreendimentos num volume total de investimentos de R$ 9 milhões. O primeiro a ficar pronto deverá ser o grupo de flats Six Suíte, com 90 apartamentos e investimentos de R$ 1 milhão. Já o Daccor Partheno, com investimentos de R$ 4 milhões, terá 120 flats a partir do final do ano que vem. O maior deles é o Meliá, com investimentos de R$ 6 milhões para 80 apartamentos.
O Grupo Meliá e o Grupo Choice são os que mais estão apostando no setor hoteleiro da região de Ribeirão. Além do hotel em São Carlos, o Meliá projeta um empreendimento do mesmo porte, com investimentos beirando os R$ 5 milhões para Barretos e outro para Ribeirão Preto. Este último deverá ocupar uma área privilegiada, localizada ao lado do RibeirãoShopping. O Grupo Meliá já possui um hotel de porte médio em Ribeirão, do padrão Sol Inn, inaugurado no ano passado. Para Barretos, as obras ainda não foram divulgadas.
Outros dois empreendimentos do Grupo Meliá que ainda não têm projeto definido, mas estão em estudo, são para a construção de hotéis em Franca e Araraquara.
Já o Grupo Choice, que está investindo R$ 6 milhões numa área de quatro mil metros quadrados para a inauguração do seu Confort Araraquara Hotel no segundo semestre deste ano, prepara um investimento semelhante em Ribeirão, ao lado do NovoShopping, que está sendo construído na cidade e deve ser inaugurado em outubro. Segundo o vice-presidente senior do grupo, Rafael Guaspari, o hotel terá 119 apartamentos voltados principalmente para atender as necessidades de executivos e viajantes. "Temos este padrão do Sleep Inn, de construir dentro ou próximo de grandes centros comerciais, que supram as necessidades de nossos clientes". Segundo informou, a rede possui hoje quatro mil hotéis em todo o mundo.
Além dos megainvestimentos dos grupos Choice e Meliá, Ribeirão Preto tem registrado um crescimento no número de hotéis de médio e pequeno porte. Somente este ano, nos meses que antecederam a Agrishow (maior feira de Agribusiness na América Latina e uma das principais responsáveis pela lotação dos hotéis na região), foram inaugurados cinco novos empreendimentos na cidade, com investimentos de até R$ 500 mil. Na semana passada foi a vez do Shelton Inn, com investimento de R$ 1,5 milhão, padrão três estrelas e um preço competitivo: diária de R$ 58, contra a média de R$ 120 nos demais estabelecimentos do mesmo porte localizados na cidade. Além disso, ainda este ano o município deverá ter pelo menos outros dois novos hotéis de médio porte, ambos com investimentos de R$ 1,5 milhão de grupos locais.
Pelo menos um deles faz parte dos planos de expansão do Taiwan Hotel, conhecido na cidade por sediar uma série de eventos. O hotel começou a construir um novo salão de Convenções na estrada que liga Ribeirão ao distrito de Bonfim Paulista e deve instalar no local um pequeno hotel. Para o delegado regional do Ciesp, Eduardo Molina, o investimento do Taiwan em um centro de convenções deverá atender a uma das principais necessidades do município. "Ribeirão não tem um espaço para receber a série de eventos que poderia sediar. O problema disso é que está se criando uma série de vagas em hotéis pensando em atender esta demanda, mas é também preciso pensar no esgotamento dos espaços para a realização destes eventos", lembrou.
O projeto para a construção de um Centro de Convenções no município está arquivado há pelo menos dois anos, informou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Aci-RP), Gilberto Maggioni, por falta de recursos e falta de grupos interessados em concluir o projeto.
Além dos investimentos visando o público de executivos, o segmento de turismo rural vem crescendo na região. Se no ano passado houve uma descoberta das antigas fazendas de café instaladas em Altinópolis, que abriram suas portas para os turistas, principalmente paulistanos, este ano promete ser da descoberta da região de Araraquara. Pelo menos dois empreendimentos, que somam quase R$ 10 milhões, apontam neste sentido. Um deles, cujo grupo empreendedor não pretende divulgar detalhes, terá até campo de golfe na intenção de atrair público de classe mais alta, interessada em "desfrutar da paz do campo". "Araraquara está tentando se firmar nas duas vertentes do turismo: o de negócios e o rural, porque acreditamos ser possível trazer recursos para a cidade a partir destes dois nichos de mercado", disse o secretário de Desenvolvimento Econômico do Município, Feiz Mattar. Segundo ele, a intenção é fazer da cidade o que hoje acontece em Serra Negra ou águas de São Pedro. "Com bons hotéis, renomados e com tradição de sediar grandes eventos, essas duas cidades não precisaram nem mesmo ter atrativos da natureza para levar novos turistas. É isso que Araraquara pode se tornar, com a vantagem de também aglutinar o turismo de negócios, com viajantes e executivos das empresas que estão se instalando na região ocupando nossos hotéis", disse ele.

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