Rede estadual de SP avança no Ideb 2019, mas cai em ranking do ensino médio


ISABELA PALHARES E PAULO SALDAÑA
ISABELA PALHARES E PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A rede estadual de educação de São Paulo avançou na qualidade do ensino médio entre 2017 e 2019, mas perdeu, mais uma vez, posição para outros estados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), principal instrumento de avaliação da área.

O desempenho do último ano deixa o governador João Doria (PSDB) mais distante de sua promessa de campanha, de fazer o estado retomar a liderança paulista em 2021.



Parte dos resultados do Ideb foI divulgada nesta terça-feira (15) pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido). O indicador, principal termômetro da educação brasileira, é calculado a cada dois anos pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do MEC (Ministério da Educação).

São levados em conta no Ideb o desempenho de estudantes em avaliação de matemática e língua portuguesa, chamada Saeb, e as taxas de aprovação escolar. A avaliação federal é feita ao fim de três etapas: anos iniciais (5º ano) e finais (9º ano) do ensino fundamental e ainda o ano final do ensino médio.

Até 2015 na liderança do indicador de qualidade nas três etapas da educação básica do país, São Paulo ficou em quinto lugar na avaliação do ensino médio entre as redes estaduais -atrás de Goiás, Espírito Santo, Pernambuco e Paraná. Em 2017, ocupava a quarta posição.

A nota de São Paulo passou de 3,8, em 2017, para 4,3, no ano passado -índice que era a meta a ser alcançada quatro anos antes. Para 2019, o previsto era alcançar 4,9.

O avanço de 0,5 ponto no Ideb de São Paulo para essa etapa foi importante, já que, na avaliação anterior, a nota havia caído de 3,9 para 3,8. No entanto, o Paraná, que ocupou o lugar da rede estadual paulista, deu um salto de 0,7 ponto -o maior entre todos os estados.

São Paulo conseguiu avançar nos três indicadores do ensino médio que compõem o Ideb. Houve melhora no desempenho dos estudantes nas duas disciplinas avaliadas. A média de matemática passou de 263,13 para 273,45. Em língua portuguesa, foi de 265,94 para 279,12.

Nesse nível de desempenho, os estudantes da rede paulista ainda têm dificuldade com cálculos de probabilidade em problemas simples e em localizar informação implícita em reportagens e artigos.

A responsabilidade pelo ensino médio é prioritariamente dos governos estaduais. Em São Paulo, das mais de 1,5 milhão de matrículas nessa etapa, 83% estão na rede estadual. A rede privada, que também não consegue alcançar a meta, tem 16,13% dos alunos. As escolas municipais e federais concentram apenas 0,8% dos estudantes.

A principal aposta do governo Doria até o momento para melhorar a qualidade do ensino médio paulista foi uma mudança curricular, já determinada em lei nacional em 2017. O novo currículo permitirá aos estudantes a partir do próximo ano escolher as matérias com as quais mais se identificam -serão 12 opções de curso.

Especialistas e os próprios dados do Ideb indicam que as falhas na qualidade do ensino médio pesam mais pelas deficiências acumuladas nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), onde a rede estadual também não consegue atingir as metas desde 2015.

Nessa etapa, a rede paulista lidera o ranking ao lado de Goiás, ainda que não tenha conseguido alcançar a meta de 5,5. Para os anos finais do ensino fundamental a nota de São Paulo passou de 4,8 para 5,2. As escolas estaduais são responsáveis por quase 60% das matrículas nessas séries.



A única etapa em que a rede paulista se mantém acima da meta é nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano). A nota passou de 6,5 para 6,6 -0,3 ponto além da meta estabelecida para 2019. Nessas séries, no entanto, o estado é responsável por apenas 25% das matrículas.

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