Agência Estado
Do Rio
Na maior operação de combate à pedofilia no País, promotores do Ministério Público Estadual (MPE) apreenderam ontem, no Rio, computadores e equipamentos de informática usados para divulgação de fotos e imagens de pornografia infantil na Internet. Depois de um ano e cinco meses de investigação, 30 promotores e cem policiais militares apreenderam o material em 23 endereços – a maioria na zona sul da cidade. ‘‘Encontramos cenas dantescas de crianças praticando sexo explícito’’, afirmou o promotor da 18ª Promotoria de Investigação Penal, Romero Lyra, que apura as denúncias. ‘‘É preciso acabar com esse tipo de violência’’.
As apreensões foram feitas simultaneamente para evitar que os suspeitos avisassem uns aos outros sobre a operação. Somente na manhã de ontem, policiais e promotores souberam os endereços dos internautas. O equipamento foi encontrado na casa de pessoas da classe média, a maior parte profissionais liberais, como médicos e administradores. ‘‘Não prendemos ninguém porque não sabemos se o dono do computador é a mesma pessoa que transmitia as fotos’’, afirmou o promotor, que não divulgou nomes dos supostos envolvidos.

Lyra começou a receber denúncias em maio do ano passado e passou madrugadas buscando as imagens na Internet, com a ajuda do estudante Wanderley José de Abreu Júnior, de 21 anos – que é responsável pelo programa de segurança de grandes empresas e já prestou serviços para a Nasa, a agência espacial dos EUA. Segundo Abreu Júnior, nenhum dos suspeitos usava medidas de segurança, para impedir que fossem localizados. ‘‘O máximo que eles faziam era usar a senha de acesso ao provedor de outro internauta’’, afirmou.
As fotos foram encontradas em sites ou trocadas em salas de bate-papo (chat). Elas mostram crianças a partir de 1 ano de idade, nuas, em cenas de sexo. Lyra disse que ficou estarrecido com a imagem de uma menina de cerca de 4 anos, cercada por seis homens, que urinavam sobre ela. ‘‘Não sei o que sobra de um ser humano depois de uma coisa dessas’’, disse o promotor.
Ao imprimir as fotos enviadas, Abreu Júnior registrava o endereço eletrônico do suspeito. Os provedores de acesso à Internet forneceram o endereço da casa dos possíveis envolvidos na rede de pedofilia. Ontem, os policiais apreenderam 10 mil fotos de crianças nuas somente em uma das casas. Também houve apreensão em um restaurante e numa produtora de vídeo, que será investigada por produzir as fitas com pornografia infantil.
A divulgação de pornografia infantil é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com penas de 1 a 4 anos de prisão. O equipamento apreendido está armazenado no Núcleo de Perícias da PM. Depois que os peritos identificarem as fotos colhidas pelo promotor nos computadores dos suspeitos, eles serão chamados para depor. Nas investigações de Lyra, ele recebeu fotos enviadas de outros Estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

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