Curitiba - O governo federal está trabalhando com a organização de uma estrutura de inteligência para o combate efetivo ao crime organizado. A intenção é integrar as polícias de todos os estados à estrutura nacional, aumentando as informações que auxiliariam o governo federal a prender quadrilhas e localizar operações de lavagem de dinheiro.
De acordo com ministro Armando Félix, chefe do gabinete de segurança institucional da Procuradoria da República, o serviço de inteligência vai envolver desde a Agência Brasileira de Inteligência e a Polícia Federal até a Receita Federal e o Ministério Público Federal. ''A intenção é envolver também as comunidades carentes, fazendo alianças que favoreçam a delação de fatos. São as comunidades carentes as que mais sofrem com os efeitos do crime organizado'', declarou o ministro, que esteve participando ontem da VII Reunião do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).
O encontro realizado em Curitiba discute a adulteração de combustíveis, cartelização de preços, facções criminosas no sistema prisional, lavagem de dinheiro, jogos ilícitos e sonegação fiscal. A intenção é trocar experiências entre os estados no combate ao crime organizado. Levantamentos realizados recentemente demonstraram que desde 1994 o crime organizado movimenta cerca de US$ 850 milhões por ano. O tráfico de drogas movimenta pouco menos que a metade do total da lavagem de dinheiro, cerca de US$ 400 bilhões.
Segundo o sub-coordenador geral do GNCOC e procurador de Justiça do Rio Grande do Sul, Mauro Renner, o crime organizado não tem fronteiras. ''Antes ele era concentrado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Agora, ele está em todo o mundo. Ele não obedece limites territorais. Vai se proliferando, criando núcleos regionais, nacionais e até internacionais'', avisou. Renner destacou que para que o crime organizado crie raízes é necessária corrupção de agentes públicos. ''A grande dificuldade de acabar com o crime organizado é que há corrupção dos mecanismos do Estado. Os criminosos buscam a fragilidade do sistema de segurança corrompendo os agentes públicos e fortalecendo o crime'', diagnosticou.
A procuradora geral da Justiça, Maria Teresa Uille Gomes, destacou que no Paraná a grande dificuldade é a falta de um banco de dados para interagir as informações das mais diversas instituições que trabalham contra o crime organizado como Estado, Ministério Público, Polícia Federal.

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