Rede de comércio eletrônico investe US$ 27 milhões para entrar na web
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Renata Stuani 
São Paulo, 28 (AE) - A rede de comércio eletrônico entre empresas Mercado Eletrônico (ME) anunciou investimentos de US$ 27 milhões nos próximos 14 meses para ingressar na Internet, expandir seu mercado no Brasil e levar seus serviços até Chile e Argentina. O objetivo é tornar o ME o maior portal de integração de empresas e fornecedores da América Latina. Parte da verba virá do Banco Opportunity e parte da GP Investimentos (dos mesmos fundadores do antigo Banco Garantia). Outros investidores serão procurados no período. O site www.me.com.br será aberto oficialmente aos clientes em março, mas já pode ser visitado.
Fundado em 1994, o Mercado Eletrônico (ME) é uma comunidade que integra 250 empresas e 15 mil fornecedores espalhados por todo o Brasil. De acordo com um de seus fundadores e atual diretor de marketing, Marcos Nader, o serviço permite que as empresas associadas se comuniquem eletronicamente com os fornecedores cadastrados. Com isso, elas obtêm ganhos de custos e tempo, melhoria geral do processo de compras e diminuem custos com estoques. Fazem parte da comunidade do ME grandes companhias de vários setores (indústria, comércio, transportes e outros). O serviço tem o apoio da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp) e do Sebrae, entre outras entidades.
Com a entrada na Internet, a meta do ME é expandir sua base de clientes e as ofertas de serviços. Segundo Nader, os investidores acreditam que o Brasil é o mercado de Internet mais promissor na América Latina. O chamado business to business, ou o comércio eletrônico entre empresas, será o setor que terá maior crescimento nos próximos meses no continente. De olho neste negócio, o ME está procurando parceiros e deve levar seus serviços ao Chile e Argentina no segundo semestre deste ano.
Como funciona - O Mercado Eletrônico funciona de duas formas: por meio de EDI (Eletronic Data Interchange), um sistema fechado de troca de informações, e agora também pela web. "O ME instala aplicativos no software de gestão do cliente para que ele receba cotações de preços, pedidos e mensagens", explica Nader.
De acordo com o diretor do ME, a troca eletrônica de dados permite às empresas melhorar todo o processo de compra e obter até 80% de redução de custos operacionais. "Se a empresa quer 10 cotações de preços com 10 fornecedores, ela terá de fazer até 100 ligações telefônicas; com o ME, ela pode receber as mesmas cotações com apenas uma ligação", afirma Nader.
A empresa contata os fornecedores através do ME. Em pouco tempo ela recebe as cotações já em forma de planilha. Os clientes que fazem parte da comunidade pagam uma mensalidade que varia conforme o volume de tráfego das cotações. "Quanto mais a empresa usa o serviço, menos ela gasta", diz Nader. Isso porque o fornecedor paga uma taxa de até R$ 0,30 por cotação enviada, valor que é abatido da mensalidade do cliente. Como as empresas têm processos de compra diferentes, o valor da mensalidade é variável.
Utilizando a rede eletrônica, a empresa consegue diminuir em até 12% os preços dos produtos comprados, de acordo com Nader. "A empresa obtém cotações de uma forma mais transparente e confiável", acredita. "Com a livre concorrência
os fornecedores sabem que, se não oferecerem os melhores preços e prazos, não serão escolhidos".
Segundo Nader, o ME também possibilita a redução dos estoques. A empresa compra mais vezes e em menos quantidade, o que também contribui para reduzir seus custos. "Além disso, o cliente obtém um relatório com o histórico das compras e da atuação dos fornecedores, o que permite a ele fazer sempre a melhor escolha", garante.


