São Paulo, 14 (AE) - A Comgás tem uma rede de distribuição de gás natural de 2,4 mil quilômetros e antende cerca de 300 mil consumidores. O cliente majoritário, responsável por cerca de 94% do consumo, é o industrial, seguido do comercial (3%), residencial (2%) e automotivo (1%).
São atendidos 17 municípios em todo o estado, localizados na Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista e Vale do Paraíba. Em Campinas, Limeira e Piracicaba a Comgás está realizando obras de extensão da rede e de construção de "citygates" (estações de recebimento e distribuição de gás).
Com volume de vendas de diário de 3,7 milhões de metros cúbicos de gás, a expectativa do governo paulista é de que, em oito anos, a distribuição diária será de 12 milhões de metros cúbicos de gás. O aumento ocorreria nos segmentos residencial (10%), comercial (11%) e industrial (6%).
A Comgás já contratou a compra de 2,2 milhões de metros cúbicos/dia de gás boliviano. Mas a expansão do consumo se dará - além do estímulo causado pelo gasoduto cuja capacidade de transporte é de 30 milhões de metros cúbicos/dia - pelo esgotamento da fonte de geração de energia hidrelétrica. Atualmente, mais de 92% da energia gerada é proveniente de usinas hidrelétricas e quase todos os rios do estado já têm usinas instaladas.
Investimentos - Outro fator que tornou a Comgás atraente foi o bom nível técnico da empresa. Com cerca de mil funcionários, a companhia teve um faturamento de R$ 247,2 milhões em 98. A dívida de R$ 100 milhões, já negociada e de longo prazo, não foi vista por analistas como empecilho. Para 99
a empresa programou um total de investimentos de R$ 120 milhões: R$ 100 milhões para a extensão da rede e R$ 20 milhões na manutenção da já existente.
O novo dono da Comgás, segundo previsão do governo paulista, deverá fazer um investimento mínimo anual de R$ 200 milhões para manter as obras de extensão e cuidados ds rede, além do atendimento ao consumidor.
Além da Comgás, leiloada hoje, o governo paulista criou outras duas áreas de concessão para fins de privatização do serviço de distribuição de gás. Nas outras duas regiões do estado - ao norte e ao sul, mas ambas acompanhado o traçado do gasoduto Brasil -, o concessionário terá de partir do zero. Mas, de acordo com o governo paulista, os investimentos não serão grandes, bastará fazer uma ligação até o gasoduto Bolívia-Brasil.

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