Curitiba - O Banco Mundial (Bird) assinou, ontem, um acordo com o governo do Estado que prevê o repasse de US$ 8 milhões do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF - Global Environment Facilities) ao Paraná, em caráter de doação. Os recursos serão investidos no Programa Rede da Biodiversidade, que busca a integração entre os principais remanescentes dos ecossistemas paranaenses. Ao todo, o projeto prevê a doação de U$S 15 milhões. Os restantes U$S 7 milhões só serão liberados quando o Estado tiver cumprido 50% das ações previstas ou comprometido 75% dos recursos iniciais.
De acordo com Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) Organização Não Governamental que ajudou no projeto a idéia é promover interações com proprietários rurais, em trabalhos de conexão das áreas envolvidas. ''Isso permite melhor condição ambiental para a manutenção da biodiversidade. Quando temos um capão isolado, as populações não trocam material genético com outras áreas e vão ficando mais pobres. As espécies raras ficam mais desprotegidas e mais propensas a desaparecer'', explica. Para isso, as comunidades terão que ser conscientizadas da importância de recuperar e manter matas ciliares ao longo dos rios ou áreas devastadas.
Estudos feitos por técnicos do governo e uma missão técnica do Banco Mundial definiram três áreas prioritárias nos corredores dos rios Iguaçu e Paraná, que receberão as primeiras ações do projeto: Araucária (Sul), Iguaçu-Paraná (no Sudoeste) e Caiuá-Ilha Grande (Noroeste). Estas áreas englobam nove unidades de conservação, 280 microbacias, 63 municípios e cerca de 19,6 mil agricultores.
A previsão é que a primeira etapa leve quatro anos. Depois, o projeto será estendido a outras áreas mapeadas no Programa Rede da Biodiversidade. O programa prioriza áreas nas faixas ao longo dos grandes rios do Estado: Iguaçu, Paraná, Paranapanema, Tibagi, Ivaí e Piquiri, seus principais afluentes e as serras do Mar, da Esperança e Escarpa Devoniana.
De acordo com o chefe da missão do Banco Mundial (Bird), Michael Carrol, que desenvolveu o projeto em conjunto com o governo, esta é a primeira vez que o GEF libera recursos direto para um estado. ''Nós sempre negociamos com os governos federais, mas achamos o projeto viável e decidimos investir'', disse.

mockup