Nova York, 28 (AE-A) - Ao divulgar hoje (28) a segunda de três partes da entrevista com o menino Elian, a cadeia de televisão ABC rebateu as críticas de que foi alvo por expor uma criança de seis anos pela tevê e informou ter omitido no segmento de hoje uma declaração de Elian de que não deseja voltar a Cuba. Os familiares de Elian em Miami autorizaram a entrevista frente à redução dos demais recursos legais para mantê-lo nos EUA.
Incentivado pelo governo de Cuba, o pai de Elian, que se havia divorciado da mãe, tenta recuperar a posse do menino depois que ela morreu num naufrágio ao tentar fugir para Miami com o filho, que foi resgatado nas costas da Flórida.
No segmento de ontem da entrevista, Elian havia afirmado não acreditar que sua mãe estava morta: "ela deve ter sido resgatada mas perdeu a memória, e não sabe que estou aqui." Após receber críticas pelo conteúdo da entrevista e sua abordagem ética, a ABC informou que, embora esteja de posse da revelação feita por Elian à repórter Diane Sawyer de que ele não deseja retornar a Cuba, a direção da rede decidiu não divulgar suas palavras textuais em função da situação delicada do menino.
Durante a longa entrevista, Elian esteve acompanhado de sua prima Marisleysis González, que reside em Miami, e de um psiquiatra infantil que fala espanhol. A atuação constante de Marisleysis tem sido no sentido de tentar substituir a figura materna. Indagada sobre a possibilidade de Elian retornar a Cuba
como já determinou a Justiça norte-americana, Marisleysis disse que "esta seria a pior coisa que poderia acontecer para ele". Mas garantiu que, "para tentar diminuir o trauma se ele for forçado a isto", ela tem alertado Elian sobre a possibilidade de ele voltar a reunir-se ao pai, e que o pai o ama.