Londrina - Historicamente considerada por muitos candidatos o grande bicho-papão dos concursos e testes seletivos, a prova de redação passou por mudanças no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) nos últimos anos. E o desempenho dos vestibulandos de lá para cá tem surpreendido positivamente a comissão pedagógica da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), responsável pelo concurso da UEL. "Os textos estão melhores do que eram", atesta a coordenadora da Cops, a professora de língua portuguesa Cristina Bulhões Simon.
O objetivo do formato adotado a partir de 2011 é fazer o candidato desenvolver a produção de textos sem rótulos definidos, segundo ela. "Queríamos que o candidato mostrasse habilidades de escrita, capacidade de sintetizar, argumentar, comentar, cotejar, que é fazer uma comparação, narrar, mas sem rótulos, ou seja, sem determinar se ele deve escrever um artigo ou uma dissertação, por exemplo", explica a coordenadora, para quem a dissertação, gênero textual ainda adotado em alguns dos principais concursos vestibulares do País e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), envolve um padrão de texto bastante treinável nas escolas e, por essa razão, com produções geralmente medianas e previsíveis por parte dos candidatos.
"A dissertação envolve argumentação, mas é um tipo de texto eminentemente escolar e muito treinável. E o que acontecia? O candidato tinha poucas linhas para desenvolver o tema e acabava fazendo um texto mediano, previsível. Às vezes o candidato até tinha uma capacidade melhor, mas os textos ficavam muito parecidos, com pouca possibilidade de mostrar um conhecimento maior", argumenta a professora.
A partir do vestibular 2012 da UEL, realizado no final de 2011, a prova de redação passou a apresentar de duas a quatro propostas de produção textual, seguindo um conceito adotado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os textos devem ser curtos, claros e, de preferência, criativos.
Na prova aplicada no último domingo, no primeiro dia da segunda fase do vestibular 2015 da UEL, foram apresentadas três propostas: continuar uma narrativa criativa de um determinado autor; transformar uma entrevista no discurso indireto; e desenvolver o tema sobre a possibilidade de vida inteligente fora da Terra.
A coordenadora defende que esse formato também é mais democrático, uma vez que permite aos candidatos não egressos do Ensino Médio, ou seja, que não foram treinados para fazer a redação, mostrar suas habilidades de escrita do mesmo jeito. "É lógico que se for pedido para o candidato argumentar sobre um determinado tema e ele só faz uma apresentação, ele teve um problema. Mas como há mais de uma produção a ser desenvolvida, ele pode se dar ao luxo de não ir bem em uma das propostas e compensar nas outras", argumenta. A professora afirma que a percepção dos avaliadores da Cops é que os textos dos candidatos melhoraram. "É difícil alguém zerar na redação, e ao mesmo tempo conseguimos ter alguns destaques, coisa que não acontecia com aquele texto previsível", avalia.

Vestibular


No segundo dia da segunda fase do vestibular 2015 da UEL, mais 41 candidatos foram eliminados por não comparecer às provas ontem, segundo a Agência de Notícias da universidade. Contando com os 550 ausentes do primeiro dia, o número de eliminados chega a 591 vestibulandos, correspondendo a 6,22% dos 9.506 aprovados para a segunda fase.
Ontem, os candidatos fizeram provas de conhecimentos específicos, em que responderam a 12 questões discursivas. Hoje, último dia de concurso, serão realizadas as provas de habilidades específicas apenas para 702 candidatos aos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Artes Visuais, Design de Moda e Design Gráfico. O resultado dos aprovados na primeira chamada do vestibular 2015 será divulgado no dia 15 de janeiro, às 12 horas, no endereço www.cops.uel.br.

mockup