Brasília, 14 (AE) - Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgados hoje pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, mostram que a maioria dos alunos das escolas públicas e privadas (56,6%) não é capaz de escrever um texto propondo a solução de um problema. Nesse tipo de redação, a média nacional foi de 3,92, numa escala de 0 a 10 pontos.
Quando escrevem sobre um tema específico, no caso do Enem Cidadania e Participação Social, o desempenho dos alunos é melhor: a média nacional foi 5,03 e "apenas" 30,9% do total de 315.960 alunos obtiveram conceito insuficiente. "A escola não está ensinando a pensar", diz Maria Helena Guimarães Castro, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep). Nas 63 questões objetivas, a média nacional foi 5,19, sendo que o desempenho dos alunos da escola privada foi melhor em todas as categorias.
O Enem é uma prova optativa que avalia se os alunos que estão concluindo o ensino médio (antigo 2º grau) dominam diferentes linguagens (textos, gráficos, mapas), compreendem fenômenos, solucionam problemas, constroem argumentações consistentes e elaboram propostas de intervenção na realidade.
A performance dos alunos, classificada de insuficiente pelo Ministério da Educação (MEC) nas questões de redação, que exigem autonomia intelectual, é agravada pelo fato de a maioria (tanto da escola pública quanto da privada) fazer parte do que o ministério chama de "elite" do alunado. São alunos que fizeram a prova por opção, vivem nos Estados mais ricos da Federação (São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais), concluíram o ensino médio em três anos, sem repetir, pretendem fazer curso superior e são filhos de famílias com renda mínima de cinco salários.
No questionário socioeconômico, 27,6% dos alunos disseram viver com renda familiar de cinco a 10 salários mínimos; 31,7% declararam renda entre 10 e 30 salários e 15,2% acima disso. A escolariadade dos pais desses alunos também é mais elevada do que a média nacional: a maioria concluiu o ensino médio e boa parte (32,2% dos pais e 29,2% das mães) a universidade.
Para o ministro da educação, Paulo Renato Souza, o resultado do Enem prova que a reforma do ensino médio é "urgente". Para ele, esse ciclo precisa deixar de ser "a ante-sala" e ter autonomia. "O currículo sempre foi pautado pelas exigências do vestibular, que exige mais esforço de memorização do que de raciocínio", completa. "Esperamos que o Enem passe a ser um sinalizador dessa nova fase", resume.
Prioridade - Paulo Renato ressaltou que neste segundo ano, o Enem "consolidou-se como instrumento de avaliação". O número de participantes triplicou e a prova já acrescenta pontos no processo seletivo de 93 universidades do País. Desde o ano passado, o ensino médio passou a ser considerado "prioridade" para o MEC. Os Estados receberam recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para planejar a reforma desse ciclo. Paulo Renato informou hoje que espera assinar em fevereiro um convênio com o banco, no valor R$ 150 milhões (com contrapartida de igual valor por parte dos Estados) para a execução dessas reformas.
O presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação (Consed), Éfrem Maranhão, informou que o custo do ensino médio está se tornando "inviável" para algumas secretarias. Maranhão fez um breve relato sobre a insatisfação dos secretários à presidente do Inep, Maria Helena, durante a apresentação dos dados do Enem, hoje pela manhã, na reunião do Consed.

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