Curitiba - A recusa familiar, aliada à falta de informação, ainda é um dos grandes empecilhos para o crescimento do número de transplantes no País. Segundo o estudo "Registro Nacional de Transplantes 2013", da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), no ano passado foram realizados 7.649 transplantes no Brasil. Estes procedimentos foram possíveis porque 2.526 pacientes doaram órgãos, sendo que 68% doaram mais de um. Este número só não foi maior porque a recusa das famílias em autorizar a retirada ainda é grande.
De 8.871 potenciais doadores no Brasil em 2013, foram realizadas 5.578 entrevistas com familiares destes pacientes. Deste total, 2.622 (47%) se recusaram a doar os órgãos de seus parentes. No Paraná, das 597 notificações realizadas no ano passado, ocorreram 373 entrevistas com familiares, sendo que 156 famílias (42%) negaram uma possível doação.
Além da negativa familiar, o falecimento por paradas cardíacas e contraindicações médicas são outros fatores impeditivos.
Mesmo significativa, a porcentagem de recusa familiar do Paraná é uma das menores entre as unidades da Federação que fazem transplantes (Amapá, Roraima e Tocantins não dispõem do serviço). Pará (31%), Santa Catarina (39%) e São Paulo (41%) apresentaram as menores taxas de rejeição familiar em relação ao procedimento. O número de recusas familiares só é inferior ao de doações de órgãos em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará, Santa Catarina e no Distrito Federal. Em 18 Estados a negativa é bem superior em relação a liberação da doação de órgãos.
Conforme a ABTO, a principal justificativa das famílias para não doar órgãos é o fato de nunca terem conversado sobre o desejo de doar. A entidade ressalta que quando isso não é um assunto resolvido, cabe a uma equipe do hospital responsável pela captação de órgãos explicar à família que a morte encefálica já é a morte. Quando ela é decretada é porque ocorreu a parada definitiva e irreversível do cérebro e do tronco cerebral, o que provoca em poucos minutos a falência de todo o organismo.
O presidente da ABTO, Lúcio Pacheco, confirma que no ano passado realmente foi observado um aumento das negativas e, por isso, a associação está tentando trabalhar com campanhas para estimular as pessoas a informarem suas famílias o seu desejo de doar os órgãos. "Nos Estados onde a doação é maior, observa-se uma preocupação dos governos estaduais com os programas de transplantes", ressaltou. (V.C. e R.C.J.)

mockup