Porto Alegre, 06 (AE) - Um grupo de 60 agricultores assentados ocupou durante seis horas a agência do Banco do Brasil em Encruzilhada do Sul, a 176 quilômetros de Porto Alegre. A invasão dos pequenos produtores foi uma forma de tentar acelerar a liberação de recursos do Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) destinados ao plantio da lavoura de verão. Eles invadiram a agência às 10h e a desocuparam às 16h após negociação com representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
O caso mais grave seria o das 130 famílias do assentamento Padre Reus. "O pessoal foi para lá em dezembro do ano passado e até agora não recebeu recurso para plantar", disse Altemir Ferreira, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, de Encruzilhada do Sul. "Realmente nada foi financiado para eles", confirmou o gerente do BB no município, José Luiz Hoss. O financiamento previsto é de R$ 2 mil por família.
Segundo Hoss, não houve incidentes na invasão. "Mas eles fecharam as portas da agência às 13h", ressalvou. O grupo negociou com os funcionários do BB e do Incra. Ao final, homens, mulheres e crianças deixaram a agência pacificamente com a promessa de que o Incra - o BB apenas repassa os valores - aceleraria os processos pendentes, enviando-os para o banco na quarta-feira).
Stédile - O coordenador nacional do Movimento do Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, afirmou hoje que o problema da Metade Sul do RS é o latifúndio, que travaria o desenvolvimento econômico da região. No seu entendimento, a reforma agrária, acompanhada de investimentos e novas agroindústrias, mudaria o panorama atual. Stédile foi um dos palestrantes do seminário Reforma Agrária e Desenvolvimento Sustentável, no auditório da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em Pelotas, no sul do Estado. O seminário começou hoje e termina amanhã (07).

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