RIO - O Ministério Público pretende recorrer da sentença aplicada a Paula Thomaz para aumentar a pena a que ela foi condenada. O promotor Maurício Assayag afirmou que a decisão só será anunciada oficialmente em cinco dias, prazo que a promotoria tem para se pronunciar, mas adiantou que é praticamente certo um recurso por parte do MP. ‘‘Ainda vamos examinar esse assunto, mas a tendência é que haja recurso’’, afirmou.
A intenção da promotoria é justamente evitar que a sentença transite em julgado - quando não há mais possibilidades de recurso -, o que permitiria a Paula Thomaz requerer a progressão de regime. Por já ter cumprido um sexto da pena, a ré tem direito ao regime de prisão semi-aberta - o que a obriga apenas a dormir na cadeia, podendo sair durante o dia -, mas o benefício só poderá ser concedido depois que a sentença transitar em julgado, o que pode levar de seis meses a um ano, segundo previsão dos promotores. ‘‘Estamos satisfeitos com a pena aplicada, mas da forma como a lei penal está, achamos que é muito provável um recurso’’, explicou Assayag.
Ele não acredita que o recurso que será feito pela defesa seja bem sucedido. ‘‘A decisão do júri foi dentro das provas; não acredito que o Tribunal de Justiça vá reformar essa sentença’’, avaliou. Para o promotor, a pena estava ‘‘exatamente dentro do previsto’’ pelo Ministério Público.
Apesar de terem sido condenados a quase vinte anos de prisão, Guilherme de Pádua e Paula Thomaz poderão estar de volta às ruas no ano que vem. Os dois, que estão presos há quase quatro anos e meio, poderão requerer progressão de regime por já terem cumprido um sexto da pena. O requerimento só poderá ser feito depois que a sentença transitar em julgado. Pádua, condenado em janeiro a 19 anos de prisão, será o primeiro a ter direito ao benefício do regime de prisão de semi-aberta.
Promotoria e defesa recorreram da sentença, e o caso está sendo avaliado na 2ª Câmara Criminal. A previsão do advogado de Pádua, Paulo Ramalho, é de que até o fim do ano a sentença transite em julgado e que, já a partir do ano que vem, seu cliente passe a gozar do benefício da prisão semi-aberta.
Polinter Tumulto, confusão, empurra-empurra e discussão entre jornalistas e a polícia marcaram, ontem pela manhã, a chegada de Paula Thomaz à Polinter (Divisão de Capturas da Polícia Civil), em Niterói, no Grande Rio. O conflito terminou depois de a ré entrar, chorando e algemada, na carceragem, escoltada por um grupo de policiais.
Momentos antes, pequenos incidentes registraram a saída de Paula do Tribunal de Júri do Rio. Um forte esquema de segurança foi acionado. Ela deixou o local às 9h40, cercada por quatro policiais, que a colocaram no banco traseiro do Voyage. Paula permaneceu deitada e com o rosto coberto pelos longos cabelos até chegar à Polinter.

mockup