Recuperar credibilidade é desafia para o vice
Bauru, SP, 13 (AE) - Há uma cadeira vazia atrás do prefeito em exercício de Bauru, o vice Nilson Costa (PL). Era ocupada pelo prefeito afastado Antônio Izzo Filho. Costa, que se afastou da administração quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção, teve de voltar, mas se recusa a sentar-se na cadeira usada por Izzo Filho, a quem se refere como o "foragido da Justiça".
"Não vou chegar ao ponto de desinfetar a cadeira, mas nela eu não sento enquanto essa situação não estiver definida", diz. Ele garante que, quando os problemas começaram, chegou a aconselhar a renúncia do prefeito. Advogado, fundador de um dos diários locais, o "Jornal da Cidade", Costa assumiu o comando da prefeitura com desafios administrativos, financeiros e morais. Inadimplência - O principal problema decorre da crise de credibilidade enfrentada pela administração de Izzo Filho. A descrença no paradeiro dos recursos públicos originou inadimplência no pagamento de impostos de mais de 30% nos primeiros meses deste ano. A perspectiva é que o índice chegue a 40%. Desde o ano passado, a receita do município caiu de R$ 16 milhões para R$ 13 milhões.
As consequências - buracos, obras abandonadas - são visíveis nas ruas de Bauru. O pagamento em dia dos funcionários municipais (até o 13.º salário) só foi regularizado este mês. Uma das providências adotadas por Costa foi a redução dos cargos de confiança, que significavam até 20% do total do funcionalismo. Em alguns órgãos, chegava a 50% do total de vagas.
O secretariado de Izzo Filho foi substituído. "Também estamos revendo licitações da administração de Izzo Filho e abrindo novas, onde conseguimos pagar a metade do preço", diz o prefeito em exercício. "Isso explica em parte o esquema de corrupção". Costa considera que, assim como a população, tenha sido iludido pelas promessas de Izzo Filho. "Acreditei nas propostas, mas logo percebi que ele se cercou de um grupo inconsequente e sem limite", avalia. "Em seguida, passou a agredir os poderes, a opinião pública, considerando-se o dono da cidade".
Nas ruas, a opinião é semelhante. "O Izzo acabou com Bauru; a cidade ficou sem administrador, a gente não sabia a quem recorrer", afirma a comerciante Inês Lopes. Ela reclama do mau estado das ruas. "Já estourei o pneu do carro nos buracos". "Precisamos retomar o caminho do desenvolvimento", prega o prefeito Costa, preocupado também com a repercussão negativa desses episódios. Teatro - Uma espécie de símbolo da auto-estima retomada da população foi a estréia nacional na cidade da peça "O Crime do Doutor Alvarenga", escrita pelo dramaturgo bauruense Mauro Rasi e seu pai, Oswaldo, na quinta-feira. O texto traz várias citações sobre Bauru. "Eu me sinto em relação a Bauru como a Fernanda Montenegro em relação ao Brasil", definiu Mauro Rasi. "Enquanto as notícias são as piores possíveis, com a nossa arte a gente conserta o que eles fazem".
Num teatro lotado de autoridades, convidados e imprensa, no fim do espetáculo, o prefeito Costa fez questão de reafirmar, no palco, os novos rumos da cidade. Acabou prometendo publicamente, estimulado pelo ator Paulo Autran, a realização de um sonho da comunidade local: a inauguração do Teatro Municipal. (U.P.)





