Os 17,6 quilômetros da mata que foram abertos pela Estrada do Colono dentro do Parque Nacional do Iguaçu estarão cobertos novamente por vegetação dentro de um período de cinco a dez anos, mas a recuperação ecológica da unidade de conservação só deverá ocorrer dentro de 30 anos. A estimativa é da diretora da Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação Maria Tereza Jorge Pádua. A entidade reúne 30 organizações não-governamentais (ONGs) do País.
A agrônoma, que foi diretora de parques nacionais do extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) afirma que a recuperação ‘‘visual’’ do parque, entretanto, está condicionada a forma com que está sendo feito o trabalho de remoção do cascalho e da escadificação do solo. ‘‘A descompactação deve ser completa para que as raízes possam brotar livremente sem qualquer impedimento. O retorno das espécies tanto de fauna como de flora só deve ocorrer dentro de três décadas’’, explicou.
Apesar de comemorar a retomada da integralidade do parque, Maria Tereza lamenta que a decisão judicial de fechamento da estrada tenha que ter sido cumprida com o uso da força da Polícia Federal e do Exército. ‘‘Esta situação demonstra uma contradição de valores que vive a população brasileira. Lutamos por dignidade e cidadania, mas para assegurar a proteção de um patrimônio da humanidade fomos obrigados a recorrer a um instrumento necessário ao cumprimento de uma decisão já existente ao nosso favor’’, disse.
Segundo a agrônoma, o grau de manipulação que este caso sofreu nos últimos quatro anos beneficiou exclusivamente interesses políticos. ‘‘Se fosse o contrário, a Justiça teria dado ganho de causa aos moradores, o que não ocorreu porque não faltaram argumentos para comprovar que estava sendo cometido um grave crime ambiental no Paraná, um grave delito contra a lei e a desordem’’, declarou.
Maria Tereza afirma que a população que não respeita a lei e a justiça, quando ela não lhe é favorável, não tem moral e nem condições de exigir o cumprimento de seus deveres quando eles são legítimos. ‘‘Cidadania deve ser um exercício consistente e regular do cumprimento do dever e conquista de direitos, o que não ocorre neste caso especificamente’’, disse.
Além da derrubada da mata, os prejuízos causados ao parque, durante o período em que a estrada esteve reaberta nestes últimos quatro anos, vão desde a interrupção da estrutura florestal ao longo dos 17,6 quilômetros da rodovia, bem como elevação da temperatura no interior da mata, disseminação de espécies exóticas e ameaçadas de extinção, até a entrada e circulação de pessoas estranhas aos trabalhos do parque, como caçadores, madeireiros e extratores de palmito. Todos estes prejuízos foram relatados ao Ibama e Ministério do Meio Ambiente.
A Estrada do Colono corta o Parque Nacional do Iguaçu bem ao meio, no sentido noroeste/sudeste, e foi aberta entre 1953 e 1955, quando o parque já estava legalmente constituído. Como qualquer outra estrada, a do Colono, independentemente da sua pavimentação, se constitui numa barreira aos movimentos da fauna e à dispersão da vegetação.
O Parque do Iguaçu foi o segundo parque nacional brasileiro a ser criado (10 de janeiro de 39). É o último remanescente de floresta estacional semidecídua, tornando-se a única mancha efetiva e com viabilidade ecológica capaz de manter os processos naturais na área de entorno do Parque, destaca a agrônoma.
São 185 mil hectares do que já foi responsável pela cobertura de 60% de todo o Estado do Paraná. Embora ostente o título de ser o segundo parque nacional a ser criado no Brasil, o Parque Nacional do Iguaçu existe desde 1910, de acordo com lei estadual da antiga província do Paraná.

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