Recuperação total da mata levará 30 anos, diz agrônoma
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
De Curitiba 
Os 17,6 quilômetros da mata que foram abertos pela Estrada do Colono dentro do Parque Nacional do Iguaçu estarão cobertos novamente por vegetação dentro de um período de cinco a dez anos, mas a recuperação ecológica da unidade de conservação só deverá ocorrer dentro de 30 anos. A estimativa é da diretora da Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação Maria Tereza Jorge Pádua. A entidade reúne 30 organizações não-governamentais (ONGs) do País.
A agrônoma, que foi diretora de parques nacionais do extinto Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) afirma que a recuperação visual do parque, entretanto, está condicionada a forma com que está sendo feito o trabalho de remoção do cascalho e da escadificação do solo. A descompactação deve ser completa para que as raízes possam brotar livremente sem qualquer impedimento. O retorno das espécies tanto de fauna como de flora só deve ocorrer dentro de três décadas, explicou.
Apesar de comemorar a retomada da integralidade do parque, Maria Tereza lamenta que a decisão judicial de fechamento da estrada tenha que ter sido cumprida com o uso da força da Polícia Federal e do Exército. Esta situação demonstra uma contradição de valores que vive a população brasileira. Lutamos por dignidade e cidadania, mas para assegurar a proteção de um patrimônio da humanidade fomos obrigados a recorrer a um instrumento necessário ao cumprimento de uma decisão já existente ao nosso favor, disse.
Segundo a agrônoma, o grau de manipulação que este caso sofreu nos últimos quatro anos beneficiou exclusivamente interesses políticos. Se fosse o contrário, a Justiça teria dado ganho de causa aos moradores, o que não ocorreu porque não faltaram argumentos para comprovar que estava sendo cometido um grave crime ambiental no Paraná, um grave delito contra a lei e a desordem, declarou.
Maria Tereza afirma que a população que não respeita a lei e a justiça, quando ela não lhe é favorável, não tem moral e nem condições de exigir o cumprimento de seus deveres quando eles são legítimos. Cidadania deve ser um exercício consistente e regular do cumprimento do dever e conquista de direitos, o que não ocorre neste caso especificamente, disse.
Além da derrubada da mata, os prejuízos causados ao parque, durante o período em que a estrada esteve reaberta nestes últimos quatro anos, vão desde a interrupção da estrutura florestal ao longo dos 17,6 quilômetros da rodovia, bem como elevação da temperatura no interior da mata, disseminação de espécies exóticas e ameaçadas de extinção, até a entrada e circulação de pessoas estranhas aos trabalhos do parque, como caçadores, madeireiros e extratores de palmito. Todos estes prejuízos foram relatados ao Ibama e Ministério do Meio Ambiente.
A Estrada do Colono corta o Parque Nacional do Iguaçu bem ao meio, no sentido noroeste/sudeste, e foi aberta entre 1953 e 1955, quando o parque já estava legalmente constituído. Como qualquer outra estrada, a do Colono, independentemente da sua pavimentação, se constitui numa barreira aos movimentos da fauna e à dispersão da vegetação.
O Parque do Iguaçu foi o segundo parque nacional brasileiro a ser criado (10 de janeiro de 39). É o último remanescente de floresta estacional semidecídua, tornando-se a única mancha efetiva e com viabilidade ecológica capaz de manter os processos naturais na área de entorno do Parque, destaca a agrônoma.
São 185 mil hectares do que já foi responsável pela cobertura de 60% de todo o Estado do Paraná. Embora ostente o título de ser o segundo parque nacional a ser criado no Brasil, o Parque Nacional do Iguaçu existe desde 1910, de acordo com lei estadual da antiga província do Paraná.


