Recuperação da agricultura do Nordeste reduzirá importações
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 25 (AE) - A recuperação do plantio na região nordeste do País, que ano passado sofreu com uma grande seca e registrou quebras de safra, reduzirá a importação de produtos como arroz, milho e feijão e minimizará o impacto negativo sobre a balança comercial, segundo o chefe do departamento de Agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Carlos Alberto Lauria. Esta recuperação já pode ser acompanhada pelos dados da safra de cereais, leguminosas e oleaginosas, que indicam produção recorde de 79,662 milhões de toneladas este ano. Ano passado, este subgrupo, que inclui 13 produtos, registrou safra de 74,986 milhões de toneladas.
A produção de arroz no ano passado foi de 7,8 milhões de toneladas, montante bem abaixo do consumo nacional, que foi de 10 milhões de toneladas. Este ano, segundo estimativa do IBGE, a produção de arroz ficará em 10,5 milhões de toneladas, evitando importação. Esta mudança ocorreu também com a produção de milho, que em 98 foi de 28,7 milhões de toneladas e que este ano deve chegar a 31 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno é de 31 milhões de toneladas. O feijão deve sair de uma produção de 2,2 milhões de toneladas para 2,6 milhões de toneladas. A demanda no País é por 2,4 milhões de toneladas.
Lauria explicou que em 98 a safra do nordeste foi muito frustrante e o que ocorre este ano é exatamente a recuperação da produção. Os dados do IBGE de fevereiro, divulgados hoje, mostram aumento, em relação ao ano passado, de 36,54% na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas deste ano. Nas outras regiões este crescimento é de apenas 3,8%. A safra recorde dos 13 itens do subgrupo, que são algodão herbáceo, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, algodão aebóreo, aveia, centeio, cevada, sorgo e trigo, evitará também aumento de preços e inflação, na opinião do técnico do IBGE.
Outro destaque importante nos dados do IBGE dizem respeito ao trigo. Lauria explicou que há espaço para ampliar a plantação de trigo, que é fortemente importado. A desvalorização do real encareceu a compra do exterior, o que estimula a produção interna. Em 1988 foram produzidos 2,2 milhões de toneladas e o consumo chegou a 8 milhões de toneladas. Lauria explicou que o País não deixará de importar, mas pode reduzir os volumes.
A projeção do IBGE de safra de cereais, leguminosas e oleaginosas é feita mensalmente a partir da atualização de dados prestados pelos produtores e também do acompanhamento natural do plantio que varia de um mês para o outro. Segundo Lauria os dados até agora mostram que o cenário climático do nordeste está muito favorável, com as chuvas ocorrendo no tempo certo. Para o técnico do IBGE é possível, caso não haja mudanças bruscas no clima, que a safra feche este ano acima de 80 milhões de toneladas, o que seria recorde histórico.
A estimativa divulgada pelo IBGE hoje mostra evolução na safra medida em fevereiro em relação aos dados de janeiro, que projetavam safra de cereais, leguminosas e oleaginosas de 78,620 milhões de toneladas.


