Washington, 19 (AE) - Ainda sob os efeitos de sua pior crise em meio século, as economias dos países em desenvolvimento da ásia voltarão a mostrar algum vigor este ano. Puxado pela China, que deve crescer 7% este ano, o PIB regional poderá expandir-se em 4,4%, comparado com 2,6% em 1998, com inflação em queda - de 6,5% para 4%.
Devastadas pela debacle em cadeia iniciada na Tailândia em 1997, as moedas da região se estabilizaram e, em alguns casos, recuperaram boa parte do valor perdido na fase mais aguda da crise. Mas o retorno à saúde econômica será desigual entre os diferentes países - com a Coréia do Sul mostrando a virada mais dramática - e continuará cercado de riscos, informou hoje o Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA).
"Enquanto as economias mais severamente afetadas pela crise dão sinais de recuperação, a maioria dos setores econômicos continua a deteriorar", afirmou o vice-presidente do banco, Peter Sullivan, ao divulgar o estudo anual sobre as perspectivas da economia da ásia.
"Por exemplo, o mal desempenho do setor bancário aumentou em 1998 e os empréstimos não recebíveis aumentaram para 20% a 35% do total das carteiras dos bancos na Malásia, Tailândia e Indonésia, apesar dos fortes programas de reforma do setor financeiro (nesses países).
A dificuldade de fazer previsões sobre os fluxos de capitais contribui para as incertezas. Estas, por sua vez, continuarão a dificultar a remuneração dos investimentos e a alimentar uma atitude cautelosa na elaboração da estratégia dos negócios. Na Coréia, onde a reforma do setor financeiro avançou mais e o panorama é mais favorável, a lentidão na reforma da corrompida cultura empresarial do país continua a ser uma aemaça - afirma o BDA.
Mesmo num cenário favorável, Sullivan disse que levará anos para a ásia recuperar-se do enorme custo social da crise, que continua a fazer estragos. No ano passado, seis milhões de indonésios engrossaram o contingente de pobres de seu país.
Além do custo imediato, sentido também pela classe média sob a forma de desemprego e perda de renda, a região terá que lidar com as consequências de longo prazo da crise. "Na Tailândia e na Indonésia, as matrículas escolares caíram porque as crianças foram trabalhar para ajudar os pais, que perderam seus empregos", disse Sullivan.
"Se não for revertida, essa tendência pode criar uma geração perdida de trabalhadores mal preparados que poderá retardar a transição de seus países para um estágio mal elevado de desenvolvimento" - exatamente o rumo no qual a ásia parecia firmemente embarcada quando bateu a crise.

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