Volta Redonda, RJ, 22 (AE) - O recuo do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT) - que ontem anunciou ter desistido de ser candidato a presidente da República em 2002 - não é definitivo: o projeto deverá ser retomado ainda na sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. O governador confidenciou hoje a assessores que resolveu comunicar a sua desistência ao presidente nacional do partido, Leonel Brizola, por ter concluído que não fazia mais sentido se desgastar, por causa de uma eleição que só vai ocorrer dentro de três anos, em um conflito com o chefe do pedetismo, que poderia prejudicá-lo.
Garotinho acha que a forte resistência de Brizola à sua postulação acontece porque o presidente do PDT quer apoiar a candidatura à Presidência do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que ontem anunciou sua saída do PMDB. Segundo o governador comentou reservadamente, em sua opinião Brizola e Itamar "têm cabeças parecidas", do ponto de vista político. Oficialmente, porém, o governador, que hoje participou da inauguração da central termoelétrica da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, recusou-se a analisar a sua saída da corrida para 2002.
Em conversas reservadas, o governador avalia que o bom desempenho que tem tido nas pesquisas de popularidade poderia ser prejudicado pela continuidade do seu conflito com Brizola, que o tem fustigado com críticas e o desqualificado como candidato a presidente. Garotinho, segundo disse a assessores, avalia que o presidente do PDT, se tentar concorrer à prefeitura do Rio no ano que vem, como tem acenado, terá um desempenho vexaminoso, por causa dos altos índices de rejeição que sofre na cidade.
O governador pedetista comentou com fontes que lhe são próximas que em sua avaliação, fundamentada em pesquisas, os quatro principais pré-candidatos a prefeito do Rio em 2000 - o prefeito Luiz Paulo Conde (PFL), Sérgio Cabral Filho (PMDB), Benedita da Silva (PT) e Cesar Maia (PTB)- estão virtualmente empatados. Ele acha, contudo, que Conde, por causa da boa avaliação que o eleitorado tem de sua administração, será um forte candidato, com presença praticamente certa no segundo turno.
Com isso, avalia, Maia, que disputa o mesmo eleitorado, poderá desistir para indicar o candidato a vice em outra chapa, em troca de apoio para disputar o governo fluminense em 2002.

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