Recordista de doação de sangue é operado
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O aposentado Orestes Golanovski, considerado como o maior doador de sangue do mundo, foi operado ontem no Hospital Vita, em Curitiba. Golanovski é brasileiro e teve lugar de destaque no Guinness Book em 2002 por ter doado sangue 186 vezes. Essa quantia equivale a todo o sangue de aproximadamente 20 pessoas. O aposentado começou a doar sangue aos 18 anos, em 1958, quando seria o Exército no Batalhão de Guarda do Rio de Janeiro. ''Gostei do gesto nobre de ajudar a salvar vidas. E é isso o que faz um doador de sangue'', disse Golanovski em entrevista à Folha, horas depois de ser submetido a uma cirurgia para retirar cálculos renais da vesícula.
O aposentado tem sangue O+, que pode ser doado para qualquer pessoa que possua RH positivo. Ele chegou a ser chamado como ''Coringa do Sangue'' no Rio de Janeiro e era sempre chamado pelos plantões de hospitais. Ele contou que numa oportunidade, chegou a doar sangue duas vezes num mesmo dia. ''Nunca me fez falta. O doador fiel é melhor para o hospitais. Ele garante quantidade e qualidade, porque sempre volta para fazer a doação'', comentou.
No dia 25 de novembro de 1991, Dia do Doador de Sangue, Golanovski fundou a Associação dos Doadores de Sangue da Região de Canoinhas (Adosarec), em Santa Catarina. Hoje, a entidade conta com 3 mil doadores associados. Desde que foi fundada, a Adosarec já encaminhou para Curitiba e Joinville mais de 7 mil doadores. ''Conseguimos mudar o perfil da nossa região de Canoinhas. O povo já está engajado'', apontou. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê o índice satisfatório de doadores de sangue num município é de 2% do total da população. Em Canoinhas e municípios próximos, esse número já ultrapassa a casa dos 4%, segundo dados de Golanovski. No Brasil, a média nacional é de menos de 1%.
Para o aposentado, a estratégia que o governo federal usa para atrair doadores é equivocada. Ele acredita que não adianta tentar conscientizar o universitário da importância da doação, usando artistas de renome nacional. ''Para uma campanha publicitária de sucesso, temos que atingir o povão. Só conseguimos fazer isso se usarmos o povo para os comerciais. Temos que usar o pedreiro que é o maior doador de Londrina, o catador de papel que é o maior doador de Curitiba, o guardador de carros que é o maior doador de São Paulo. Pessoas do próprio povo para que as pessoas possam se identificar com elas'', apostou.
O prazo recomendável entre cada doação é de 60 dias para homens e 90 dias para mulheres. ''Toda a minha família doa sangue, exceto a mulher, que é hipertensa. Meu neto, de 17 anos, foi doador pela primeira vez com a autorização dos pais'', disse vitorioso. Golanovski dá palestras por todo o Brasil e auxilia pessoas que queiram abrir organizações não governamentais de incentivo a doação de sangue. Informações pelos telefones (47) 622-0156 e (47) 622-4935.


