Recoop é programa de saneamento de bancos, diz OCERGS
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 21 (AE) - O presidente da Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs), Vicente Bogo, fez hoje duras críticas ao impasse que paralisa a aplicação do Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop). "Até agora, o Recoop é um programa de saneamento dos bancos", afirmou o dirigente. De acordo com ele, as cooperativas devem organizar um acampamento em Brasília no mês que vem para pressionar o Congresso, o governo e os bancos e acelerar a liberação efetiva dos recursos.
Bogo suspeita da existência de uma "orientação deliberada" da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para que as instituições financeiras utilizem o Recoop apenas como forma de alongar o perfil das dívidas já contraídas pelas cooperativas. O próprio Banco do Brasil estaria seguindo esta linha, acredita. "Eles (os bancos) pegam recursos à vista do Tesouro e não colocam dinheiro novo no sistema", afirmou, numa referência aos dois únicos contratos fechados até agora, com duas pequenas cooperativas do Paraná e de Santa Catarina.
Bogo considerou "frustrante" a reunião de ontem (20), em Brasília, da comissão especial que trata do Recoop. Segundo ele, o Banco do Brasil fala em concluir as análises internas dos projetos das cooperativas em 31 de março, quando esta foi a última data definida para iniciar as contratações.
O acampamento de protesto em Brasília, conforme o presidente da Ocergs, deverá ser acertado na reunião dos presidentes de todas as organizações de cooperativas com interesse no Recoop na próxima terça-feira (25). O encontro será na sede da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), em Brasília.
Na segunda-feira (24), Bogo pretende conversar com o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, que visitará o Rio Grande do Sul. Bogo disse que vai reforçar a "angústia" das cooperativas sobre a questão e pretende "alertar" o ministro sobre a possível manifestação de fevereiro. "Precisamos dar visibilidade à questão".
Segundo o dirigente da Ocergs, o Recoop foi instituído há um ano e meio e até agora não foi posto em prática. "Alguém está descumprindo a decisão do presidente da República, pois os recursos do Tesouro não estão chegando às cooperativas". Para Bogo, o governo federal deve identificar e responsabilizar os culpados pelo atraso na execução do programa.


