Paris, 03 (AE) - A rápida aprovação pelo Parlamento iugoslavo do plano de paz do Grupo dos Oito (G-8) e a disposição dos europeus de acelerar o processo na reunião de Colônia, Alemanha, estão revelando a existência de um forte desejo desses países de acabar rapidamente com a guerra de Kosovo.
Os europeus admitem que a guerra já começa a pesar demasiadamente sobre o euro, desestabilizando a moeda européia - que a cada dia perde valor em relação ao dólar -, convencidos também de que a guerra vai custar demasiadamente caro à comunidade internacional.
Segundo especialistas, seu custo deve chegar a US$ 25 bilhões. Esse é o preço estimado para promover, em boas condições, a volta dos refugiados e a reconstrução da infraestrturura do Kosovo, fortemente atingida pelos bombardeios. Tudo depende da disposição dos aliados, principalmente dos europeus, que deverão arcar com a maior parte dessas despesas.
Se os custos da guerra são conhecidos, os especialistas financeiros estudam agora o preço da paz e da reconstrução da região. Até agora, a guerra custou US$ 4 bilhões aos aliados, com despesas de munição e logística militar, sendo dois terços financiados pelos Estados Unidos e um terço pelos países europeus. Por isso, os norte-americanos já disseram que não serão responsáveis pelas despesas de reconstrução, cuja maior parte vai cair nas costas de Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália.
Representante de grandes empresas européias já procuram levantar as necessidades mais urgentes, buscando posicionar-se para obter obras importantes na província, da mesma forma que empresas norte-americanas se candidatavam para a reconstrução do Kuwait, durante a Guerra do Golfo.
Thomas Mayer, economista do grupo Goldman Sachs, em Frankfurt, afirma que não se pode esquecer que os países ocidentais já estão pagando pela reconstrução da Bósnia, também fortemente destruída durante a guerra contra a Sérvia.
Para que se tenha uma idéia, desde o fim desta guerra, os países da UE já forneceram US$ 5 bilhões em ajuda a uma população de 3,3 milhões de pessoas na Bósnia.
Em Kosovo, a população recenseada é de 2,2 milhões de pessoas, mas a destruição causada pelos bombardeios da OTAN e pela artilharia iugoslava foi muito mais importante. As estruturas desse país foram destruídas e terão de ser reconstruídas: pontes
estradas de ferro, hospitais, centros administrativos, etc...
As projeções de custo, mesmo sendo apenas indicativas, levam em conta o apoio indispensável à população albanesa de Kosovo deportada de seu país. Tal ajuda internacional deverá acompanhar essa população no momento da volta, estimando-se uma despesa de US$ 1,6 bilhão. Esse cálculo foi feito com base no PIB da Albânia, que se situa em torno de US$ 700 per capita ao ano.
Segundo os mesmos especialistas, responsáveis por um estudo que está sendo submetido aos países da UE, serão necessários pelo menos três anos para colocar Kosovo novamente de pé. Só no primeiro ano, a ajuda internacional deverá ser de US$ 3,3 bilhões, dinheiro que deverá ser empregado na reconstrução da infraestrutura e subsistência de sua população. Nos anos seguintes, as despesas estimadas serão da ordem de US$ 1,7 bilhão.
Essas despesas não incluem a reconstrução da Sérvia. Segundo estimativas iugoslavas, as despesas de destruição com os bombardeios da OTAN podem alcançar US$ 180 bilhões, evidentemente exageradas, replicam técnicos ocidentais.
Mesmo, se essas despesas forem divididas por cinco ou seis, os custos são extremamente elevados, não se sabendo ainda como esse país poderá ser reconstruído. Estima-se que a reconstrução da Sérvia vai necessitar de fundos importantes, oscilando entre US$ 18 bi e US$ 20 bi. Essas cifras, mesmo sendo importantes, representam pouco mais de 0,4% do PIB da União Européia.
Como se trata de despesas projetadas para os próximos anos, os orçamentos dos países do grupo dos quinze poderão absorver essas quantias sem grandes dificuldades, mas será o contribuinte europeu o principal penalizado pela guerra deflagrada por seus dirigentes.

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