Reconstituição gera suspeitas sobre policiais
A Polícia Civil realizou ontem a reconstituição do assassinato do sem-terra Antonio Tavares Pereira, de 38 anos, na BR-277, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A reconstituição foi feita na presença do sem-terra Aparecido Alves de Souza, que acompanhou Pereira até o Hospital do Trabalhador, em Curitiba. Aparecido garante que o tiro foi disparado por policiais militares que estavam dentro de uma viatura tipo caminhonete amarela, que depois teria sido amassada pelos sem-terra.
Souza teria pedido ajuda para um motorista de um Chevette, que estava parado na rodovia por causa do tumulto, e que teria dado carona até o bairro do Portão. Não lembro a cor do carro, estava muito nervoso. Tinha meu colega nos braços, que dizia o tempo todo que iria morrer, afirmou ele.
O delegado de Homicídios, Fauze Salmen, que preside as investigações, manteve a tese de que a bala que atingiu o sem-terra foi resultado de um tiro disparado para o chão. Acho que foi um acidente. O policial que atirou tinha a intenção de assustar, considerou. O delegado disse que está tentando localizar o motorista do Chevette para esclarecer o caso.
O delegado quer agora identificar os quatro ou cinco policiais que estavam na caminhonete amarela, uma viatura da PM, no momento do conflito. Acho que chegando até eles, poderei identificar o autor dos disparos, disse o delegado. A delegada de Homicídios, Vanessa Alice, que acompanha o caso, garante que não será difícil identificar a viatura, que foi atingida por foices. Deverá ter poucas assim, disse. (L.P.)





