Reconstituição de crime é marcada por confusão
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de maio de 1999
Agência Folha 
A reconstituição sobre as mortes de Paulo César Farias, o PC, e de sua namorada, Suzana Marcolino, realizada na casa da praia de Guaxuma, litoral norte de Maceió (AL), durou sete horas, foi marcada por confusões e revelou-se pouco conclusiva.
Concluída às 6 horas da manhã de ontem, a reconstituição não questionou os sete funcionários de PC sobre o fato de eles não terem ouvidos os tiros na noite do crime. Este era considerado um dos principais pontos para o surgimento de contradições entre as versões das testemunhas, principalmente, dos seguranças.
As duas perícias oficiais do caso, uma coordenada por Fortunato Badan Palhares e, outra, por Daniel Munhoz, só concordam em um ponto: as pessoas que estavam na casa tinham de ter ouvido os tiros que mataram PC e Suzana.
Não questionamos sobre os tiros porque isso não nos foi solicitado pela Justiça. Este ponto deve ter ficado para os futuros interrogatórios, afirmou o diretor da Polícia Científica da Secretaria da Segurança Pública de Alagoas, Aílton Villanova.
Foram refeitas 17 cenas, todas baseadas nos depoimentos de quatro seguranças - os policiais militares Adeildo Costa Santos, José Geraldo da Silva, Josemar Faustino dos Santos e Reinaldo Lima - do garçom Genival da Silva França, do caseiro Leonino Tenório de Carvalho e da mulher dele, Marize Vieira de Carvalho.
Villanova também considerou normal o fato de os seguranças não terem arrombado a janela da forma como afirmam terem feito para encontrar os corpos. A falta de uma fissura mais profunda na madeira por onde teria passado o ferrolho que fechava a janela foi outro ponto polêmico da versão dos seguranças.
Com o ferrolho colocado até o fundo da madeira eles não conseguiram abrir. Mas isso é natural. Geralmente as pessoas não aprofundam muito o ferrolho, afirmou Villanova.
Por volta das 4 horas, os delegados do caso, Antônio Carlos de Azevedo Lessa e Alcides Andrade, decidriam abandonar a reconstituição após desentendimento com o diretor Aílton Villanova. A confusão aconteceu durante a reconstituição da cena na qual a faxineira Marize encontra a bala que matou Suzana. Enquanto Villanova falava aos jornalistas, os delegados passaram a interrogar a testemunha. Villanova considerou a participação dos delegados como uma intromissão em seu trabalho.


