Reconstituição da face de Luzia chega ao Brasil e pára na alfândega
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de agosto de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 30 (AE) - A reconstituição da face do crânio mais antigo já encontrado nas Américas chegou hoje ao Brasil, mas enfrenta problemas na alfândega e, por isso, não foi liberada ainda para exposição. Apelidado de Luzia, o crânio é de uma mulher, data de 11,68 mil anos e foi encontrado em Lagoa Santa (MG), em 1975. Pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, concluíram em junho a reconstituição do rosto de Luzia. O trabalho comprova a tese de que os primeiros habitantes das Américas eram negros e não índios.
A reconstituição foi custeada pela BBC de Londres e pelo Canal Discovery, produtores de uma série de documentários sobre o povoamento das Américas - Ancient Voices. O trabalho foi feito com resina e recria todas as estruturas da face, inclusive os músculos. Depois de ser filmada para o documentário, que será exibido dia primeiro de setembro, a reconstituição seguiu para o Brasil, onde ficará exposta no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, de cujo acervo faz parte o crânio de Luzia.
Chegou a ser marcada para hoje a apresentação da reconstituição, com a presença de antropólogos e arqueólogos, mas problemas na alfândega impediram a liberação do trabalho. Os ingleses despacharam o material referente a Luzia em cinco pacotes separados (a reconstituição, o molde do crânio, exames feitos no crânio, fitas de vídeo e fotos) que, por falha no transporte, foram parar em cidades diferentes: a reconstituição propriamente dita foi parar em São Paulo, há um outro pacote em Nova York e apenas três chegaram ao Rio. Como eles foram despachados juntos, a alfândega carioca não quer liberá-los separadamente e deve esperar até sexta para que todos estejam reunidos novamente.
Outro problema enfrentado pelos pesquisadores do museu é que a reconstituição da face de Luzia não foi caracterizada pela alfândega como trabalho científico, mas sim como obra de arte, o que requer uma sobretaxa de R$ 2 mil, quantia da qual o museu não dispõe. Assim que os problemas burocráticos estiverem resolvidos, a face de Luzia poderá ser vista na exposição permanente do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista.


