Hospital Evangélico promoveu evento para mostrar como a tecnologia pode ajudar no reconhecimento do problema
Hospital Evangélico promoveu evento para mostrar como a tecnologia pode ajudar no reconhecimento do problema | Foto: Fotos: Gina Mardones



Também chamada de infecção generalizada, a sepse é responsável por cerca de 2,5 milhões de casos anuais no Brasil, com alto índice de mortalidade. A doença pode ser descrita como uma resposta exacerbada do organismo a uma infecção, que leva à morte 60% dos casos registrados no País. Em todo o mundo, o índice de mortalidade pela sepse fica entre 30% e 40%.
"Isso acontece porque as pessoas não reconhecem a doença, nem mesmo profissionais de saúde, apesar de um consenso sobre a sepse existir desde 1992", opinou Fernanda Barros, médica infectologista e coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Evangélico de Londrina. Nesta sexta-feira (10), a instituição realizou evento para mostrar como a tecnologia pode ajudar no reconhecimento do problema com o robô Laura, que a FOLHA já mostrou em dezembro do ano passado. O robô usa computação cognitiva para identificar possíveis casos de sepse em hospitais.
"A cada uma hora de atraso no atendimento, aumenta em 8% a mortalidade", alertou Fernanda. Segundo ela, qualquer infecção pode se tornar uma sepse, e um dos grandes problemas relacionados à alta taxa de mortalidade é a dificuldade de reconhecimento do quadro. A sepse pode evoluir de infecções simples, como de garganta ou pele, por exemplo, e alguns sinais devem chamar a atenção, como febre, aumento da frequência respiratória e taquicardia. "Junto com a infecção, pode ser sepse e o paciente deve vir ao hospital para passar por avaliação médica."
Em idosos, o paciente para de comer, fica sonolento sem motivo ou confuso mesmo dentro de casa, o que para muitos pode ser considerado normal, observa a médica infectologista. Devido ao rápido avanço das chances de mortalidade da sepse, o reconhecimento do problema logo na atenção primária também é essencial, acrescentou ela. Mesmo nos postos de saúde, já é possível dar início ao tratamento.
Na visão da diretora da 17ª Regional de Saúde, Teresinha de Fátima Sanchez, a superlotação é outro fator que aumenta o índice de mortalidade por sepse. Apesar de não possuir dados sobre a taxa de mortalidade em Londrina, ela diz acreditar que o índice na cidade está acima do nacional, de 60%. "A superlotação piora a condição. O leito teria de ficar um tempo desocupado, mas se estou com superlotação vou adiantando isso." Ela lembra que cada hospital tem sua comissão interna para atuar no controle da infecção.

Segundo a infectologista Fernanda Barros, qualquer infecção pode se tornar uma sepse
Segundo a infectologista Fernanda Barros, qualquer infecção pode se tornar uma sepse



PROTOCOLO
"Em um hospital, com protocolos de atendimento, ainda assim demora três horas para fazer o atendimento. O ideal é que seja feito na primeira hora", comentou Jamile Sardi Perozin, médica infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital do Câncer. A fim de capacitar os profissionais para enfrentar o problema, os hospitais estão implantando o protocolo para atendimento e tratamento da sepse. O Hospital do Câncer trabalha com um instituto que auxilia a instituição na implantação.
No Hospital Evangélico, o protocolo também está em implantação. "Fizemos treinamentos com enfermeiros, médicos, pronto-socorro e agora nos setores de internação", contou Fernanda. Enfermeira responsável pelo protocolo de sepse no hospital, Camila Brito Borguezam afirmou que, em poucos meses, já foi possível diminuir o índice de mortalidade pela infecção, bem como diminuir o tempo de permanência dos pacientes com sepse de oito a 14 dias para três a quatro dias.
A Secretaria de Municipal de Saúde coleta dados das comissões de controle de infecção dos hospitais e acompanha os índices de infecção a fim de atuar quando estes passam dos mínimos aceitáveis, que variam de acordo com a complexidade e a gravidade dos casos. "A secretaria atua quando há algum hospital em que o índice ultrapassa o índice aceitável para investigar o que aconteceu", explicou o secretário Luiz Koury.
Atual presidente do grupo Salus - Saúde Londrina União Setorial, que tem o objetivo de promover a cidade de Londrina pela qualidade em saúde -, João Santilli destacou também a busca dos hospitais de Londrina pela acreditação hospitalar, trabalho que envolve o uso de protocolos padrão e de treinamento de pessoal nos ambientes hospitalares.

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