Recomeça hoje julgamento de crimes em Altamira
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domingo, 21 de setembro de 2003
Mauro Albano<br> Agência Folha 
São Paulo - Um livro publicado em 1985 é o trunfo da acusação contra a dona de casa Valentina de Andrade, 72 anos, no julgamento do grupo acusado de castrar e matar meninos em Altamira (PA), que recomeça hoje. Ela é apontada como líder do grupo pelo Ministério Público, que pretende demonstrar por meio da leitura de ''Deus, a Grande Farsa'', de autoria de Valentina seu suposto envolvimento com a prática de magia negra.
Valentina é a quinta e última pessoa acusada de participar dos crimes a ser julgada pelo Tribunal do Júri, em Belém (PA). Os outros quatro foram considerados culpados. Foram condenados o ex-policial militar Carlos Alberto dos Santos (35 anos de prisão), o comerciante Amailton Madeira Gomes (57) e os médicos Anísio Souza (77) e Césio Brandão (56). Todos se dizem inocentes e anunciaram que vão recorrer da decisão.
Os crimes atribuídos ao grupo ocorreram entre 1989 e 1993 e incluem a castração de nove meninos e o assassinato de seis deles. Todas as vítimas tinham entre 8 e 14 anos e eram do sexo masculino. A acusação sustenta que Valentina é ligada à suposta seita Lineamento Universal Superior (LUS), com sede na Argentina, e que ela teria sido vista em rituais de magia negra.
A leitura do livro, segundo a acusação, indicaria uma suposta predisposição contra crianças. ''Acautelem-se com as crianças, elas são instrumentos inconscientes da grande farsa denominada Deus e seus nefandos colaboradores'', diz um trecho do livro.
O advogado de defesa, Américo Leal, afirmou que o texto de Valentina está sendo usado fora de contexto. ''Uma frase isolada pode ter sua interpretação manipulada.'' Ele vai argumentar que Andrade é inocente. Dirá que ela não estava em Altamira na época em que os crimes ocorreram e que apenas realizava palestras para os membros da LUS. Leal afirmou que a LUS não é uma seita, mas uma associação que discute estudos sobre vida extraterrestre.


