Em meio ao impasse nas negociações entre o governo de Pernambuco e os policiais militares em greve há sete dias, Recife viveu ontem mais um dia tenso com a ausência de segurança nas ruas, mas não houve registro de confrontos semelhantes aos ocorridos anteontem, quando policiais em serviço e grevistas trocaram tiros e bombas de efeito moral. O comércio, as escolas e serviços funcionam parcialmente, em condição de alerta para suspensão diante de situações de risco.
Os três principais shopping centers da cidade mantiveram o procedimento de fechar as portas às 20 horas, em vez do horário regular, às 22 horas, pelo segundo dia consecutivo, e amargam queda substancial nas vendas e presença de público. No comércio das áreas centrais, onde os riscos de assaltos e vandalismo são maiores, o funcionamento se orienta pelos sinais de quebra de padrão de normalidade - ainda assim levando em conta a segurança dos empregados em seus horários de deixar o trabalho. As principais escolas particulares suspenderam as aulas.
De acordo com a Diretoria de Polícia Civil da Secretaria de Defesa Social, quatro homicídios foram registrados ontem, elevando para 39 o total de assassinatos desde o início da greve. No mesmo período, oito veículos foram roubados ou furtados, elevando para 167 o total dessas ocorrências em uma semana.
O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), disse ontem estar determinado a não ceder ao que considerou ‘‘um movimento de insubordinados e amotinados’’. E prometeu reagir à bala se houver tentativa de invasão do Palácio do Campo das Princesas.
Ele reafirmou que só negocia com os grevistas quando eles voltarem ao trabalho e desmancharem o acampamento instalado há oito dias na Praça da República, defronte ao Palácio do Campo das Princesas.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Roberto Carvalho, informou que provavelmente hoje será publicada uma nova lista com os nomes de policiais a serem punidos com demissões ou conselho disciplinar. Ele adiantou que a PM não vai fazer uma caça às bruxas. ‘‘O objetivo é retomar a normalidade’’, afirmou.
Ontem, a Assembléia Legislativa do Mato Grosso aprovou projeto de lei que prevê a adoção da tabela de subsídios para os 4 mil integrantes da Polícia Militar do Estado. O menor salário, o de cabo, será de R$ 760. E o maior, de coronel, chega a R$ 7.200,00. O governador deve sancionar a lei nos próximos dias.

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