Recife recolhe as fantasias; Olinda mantém folia até a meia-noite da Quarta-Feira de Cinzas8/Mar, 17:29 Por Lúcia Maria Dias, especial para a AE Recife, 08 (AE) - Recife amanheceu retirando das ruas do centro os adereços que enfeitaram a capital pernambucana durante o carnaval. Mas Olinda manteve a tradição e começou a Quarta-Feira de Cinzas com muita folia. A previsão era de que até a meia-noite blocos e troças desfilariam pelas ruas da cidade histórica puxando foliões que teimam em não dar a festa por terminada. Pela manhã, o Bacalhau do Batata, que desfila há 28 anos, saiu pelas ladeiras de Olinda arrastando milhares de foliões. O bloco leva em seu estandarte os ingredientes de uma bacalhoada. Nas ruas, o bloco encontrou-se com um grupo de bonecas gigantes que desfilaram em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O Bacalhão do Batata foi criado pelo garçom Isaías Ferreira da Silva, o Batata, para reunir profissionais que, como ele, trabalhavam durante os dias de carnaval e não podiam se juntar à brincadeira da multidão. O bloco se tornou uma tradição de tal modo, que uma troça - a "Tá na Hora" - foi formada para comemorar o atraso com que frequentemente o Bacalhau vai para as ruas. As troças de Olinda são uma característica do democrático carnaval da cidade. Uma brincadeira ou um fato qualquer pode atiçar a criatividade de um folião e, em pouco tempo, está formado mais um grupo, puxando gente animada por uma pequena banda de poucos instrumentos ou mesmo por uma improvisada percussão. O Maluco Beleza, bloco criado pelo cantor Alceu Valença, faz a Quarta-Feira de Cinzas parecer apenas mais um dia de carnaval e deveria sair às 18 horas. O bloco tem se destacado nos últimos anos por levar importantes artistas da região. Com o mesmo nome do frevo composto por Alceu Valença, sairá da Rua Prudente de Morais. Mesmo a cirurgia cardíaca a que se submeteu no ano passado não fez com que Alceu se recolhesse. Ele fez shows, abriu a "Toca do Bicho" em sua casa, que se transformou em local de apoio para foliões, e vai levar à frente do bloco Nana Vasconcelos, Paulinho Moska, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Dominguinhos. Turistas - O frenetismo do carnaval de Olinda trouxe problemas para a cidade. Calcula-se que o público atingiu 1,5 milhão de pessoas, dobrando em relação às 700 mil computadas pela prefeitura no ano passado. Foram recolhida 274 toneladas de lixo. A administração municipal não registrou nenhuma morte, mas não conseguiu diluir a quantidade de pessoas embora tenha aumentado os locais de animação. Por causa disso, algumas agremiações tradicionais se recusaram a desfilar nas ruas da cidade, apinhadas pela multidão temendo pela segurança de seus participantes. A guerra do som, feita entre pessoas que alugam imóveis da cidade para passar o carnaval, elevava o volume para acima dos 60 decibéis permitidos. O órgão municipal responsável autuou 85 imóveis e advertiu os responsáveis por 37 deles.