Reciclagem de lixo beneficia crianças
Dimitri do Valle
Na Região Metropolitana de Curitiba e no litoral paranaense, a concentração de pessoas que sobrevivem com a cata de lixo está localizada nos municípios de Rio Branco do Sul, Matinhos e Paranaguá. Não há números disponíveis sobre esta realidade no Estado, mas ao andar pelas ruas da capital não é difícil ver dezenas de catadores de papel que passam o dia atrás de entulhos por todos os cantos da cidade.
Na RMC existem projetos que beneficiam 87 entidades filantrópicas que atendem idosos e crianças. A usina de reciclagem de lixo localizada no município de Campo Magro gera uma renda de R$ 22 mil mensais que são repassados para o Instituto Pró-Cidadania, responsável pelo envio dos recursos para as entidades. Quinze delas são responsáveis pelo atendimento direto de centenas de crianças carentes.
De acordo com o Unicef, a realidade das crianças que trabalham nos lixões é dramática. Elas sofrem de doenças na pele, febres e diarréia, causadas pelo contato direto com o lixo. Na maioria dos casos, as crianças não têm acesso a garantias sociais básicas, como um certidão de nascimento, o acesso a escola ou aos serviços de saúde. A assessoria de imprensa do Unicef diz que a campanha representa um alerta à sociedade sobre a situação dessas crianças e um convite aos governos, principalmente às prefeituras brasileiras, para que apóiem e desenvolvam programas de retirada das crianças do lixo e de gerenciamento de resíduos sólidos.
O Unicef e Fórum Nacional Lixo e Cidadania lançaram ontem em Brasília a campanha Criança no Lixo, Nunca Mais. O projeto tem a ambiciosa pretensão de erradicar o trabalho de menores nos lixões brasileiros. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 mil crianças e adolescentes vivem e trabalham no lixo. Eles ganham de R$ 1,00 a R$ 6,00 por dia, submetendo-se a todos os tipos de perigos, principalmente, com a falta de higiene.





