Recicladores podem ser despejados de barracão
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Recicladores que trabalham num barracão na marginal da BR-369, próxima à saída de Londrina para Ibiporã, terão que deixar o local que foi alugado pela Companhia Municipal de Trânsito (CMTU) em março deste ano. A empresa Estampar Indústria e Comércio de Matrizes entrou com uma ação de despejo e conseguiu uma liminar na 1 Vara da Fazenda Pública.
Conforme o advogado Ivan Pegoraro, que defende a empresa, a liminar de despejo foi concedida no dia 11 de novembro. ''Entramos com a ação de despejo no dia 4 de novembro por dois motivos. Primeiro a falta de pagamento desde 2 de julho. E segundo pelo vencimento do prazo, que configura denúncia vazia. Nestes casos, quando a ação é fundamentada em denúncia vazia, cabe a liminar de despejo'', explicou.
O contrato de locação da área de 1.913 metros quadrados venceu no dia 26 de outubro. A CMTU não paga o aluguel de R$ 8 mil mensais desde julho.
Ainda segundo Pegoraro, os ocupantes do imóvel terão 15 dias para sair do local após serem notificados. ''Se desobedecerem o prazo, a ocupação se torna irregular e o juiz determina a desocupação'', comentou.
Ontem, quatro mulheres, que fazem parte do Centro de Triagem e Grupos Recicláveis da Zona Leste, continuavam trabalhando no barracão, localizado na Rua Amélia Riskallah Abib Tauil, marginal à BR-369. O espaço estava lotado de recicláveis. ''Antes de vir para cá a gente trabalhava na casa do meu parente que recolhe o material com caminhão'', comentou a recicladora Teresa Burque.
Segundo ela, a cada dia é descarregado pelo menos um caminhão carregado de recicláveis no local. A trabalhadora não lamenta a ação de despejo. ''Só fiquei sabendo por conversas que estão procurando outro barracão. Aqui a gente não tem nada, não tem água, luz'', reclamou Teresa, que vive no Jardim Santa Fé (Zona Leste). Ela é mãe de seis filhos, trabalha das 8 às 17h30 e consegue faturar apenas R$ 400 reais por mês.
O presidente da CMTU, André Nadai, afirmou ontem que o município alugou o barracão para ONG como forma de combate à dengue. ''Eles estavam trabalhando em locais descobertos e fundos de vale, gerando riscos para saúde e também para o meio ambiente. Em março nós alugamos o barracão até outubro com a condição de que essa ONG se integrasse à cooperativa de recicladores contratada pelo município. Eles não se agregaram e a CMTU não vai continuar a apoiá-los. O proprietário do terreno tem todo direito de pedir a reintegração de posse'', afirmou.
Nadai disse que atualmente duas cooperativas de recicladores atuam no município, cobrindo 85% da cidade. ''Todas as ONGs de reciclagem de Londrina que não se agregarem a essas cooperativas deixarão de receber apoio da CMTU, seja saco plástico, aluguel de barracão'', concluiu.


