Buenos Aires, 30 (AE) - A recessão argentina já está tendo efeitos negativos evidentes na arrecadação tributária.
Segundo Carlos Silvani, o diretor da Dirección General Impositiva (DGI), a receita federal local, nos primeiros quatro meses deste ano foram perdidos US$ 1,2 bilhão por causa da queda no comércio exterior em relação ao mesmo período do ano passado.
Silvani disse que "a arrecadação está fortemente atingida pelo baixo nível de atividade", e citou a queda de 30% nas importações como uma das principais causas.
O diretor da DGI também acusou os agricultores argentinos de estarem evadindo US$ 1 bilhão pelo Imposto de Valor Agregado (IVA).
Silvani afirmou que a evasão de impostos caiu de 40% em 1996 para 26% neste ano. No entanto, calcula-se que apesar da redução crescente nos últimos anos, a evasão voltará a aumentar rapidamente este ano.
O primeiro sinal foi dado pela queda na arrecadação de 9% em maio, em relação ao mesmo período do ano passado. Em maio também foi sentido o baque causado pela falta de pagamento de impostos sobre a receita, já cobrados em dezembro do ano passado, em uma manobra do governo para poder fechar em ordem suas contas comm o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Analistas consideram que este ano é um ano especialmente propício à evasão: um ano eleitoral. É tradicional na Argentina que nos meses pré e pós eleitorais a arrecadação caia significativamente. Assim foi no período em que tomou posse o presidente Raúl Alfonsín, em 1983, e no fim de seu governo, quando a incerteza e a hiperinflação reduziram a arrecadação aos níveis mais baixos da história do país.

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