Rio, 26 (AE) - A recessão será mais longa para as pequenas e microindústrias. Uma sondagem realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que o setor prevê uma recuperação mais lenta do que a das grandes empresas no segundo semestre. O resultado será um quadro ainda sombrio para o emprego, com as demissões superando em quatro pontos porcentuais as contratações previstas para o período pelas 1,4 mil indústrias que responderam à pesquisa.
Segundo o chefe do Centro de Estudos de Tendências da FGV, Salomão Quadros, o nível de emprego é um dos melhores indicadores de retomada do crescimento. Ele destacou que o peso da folha salarial no balanço das pequenas e microindústrias é muito grande, por isso, elas só contratam quando existe uma sinalização clara de que o crescimento na demanda é sustentável em médio e longo prazos.
"As pequenas e microindústrias atuam em setores menos sujeitos a altos e baixos", disse Quadros. "São segmentos que se recuperam mais lentamente, com os empresários adotando uma posição menos agressiva e ousada do que nas grandes empresas."
Os dados da sondagem mostram ainda que o processo de ajuste foi mais forte no último trimestre, com 30% das indústrias prevendo aumento das demissões no período. O economista disse que qualquer alteração no quadro de funcionários de pequenas e microindústrias tem impacto direto no nível de produção.
Já as grandes empresas conseguem com projetos de modernização e inovações técnicas aumentar sua produtividade, enquanto promovem cortes no número de funcionários. Os empresários não enxergam grandes mudanças no cenário de retomada do crescimento previsto na última sondagem, com 67% esperando queda ou manutenção do nível de produção para este trimestre. A demanda também continuou inalterada. Os dados mostram que 71% dos entrevistrados apostam em retração ou estabilidade da demanda interna e externa.
Quadros destacou ainda que a retração na capacidade instalada das pequenas e microindústrias foi intensa nos últimos meses. A pesquisa identifica o início de uma reversão para o próximo semestre, com as empresas reduzindo o grau de ociosidade.
Os números revelam que, no último trimestre de 1998, 25% das empresas reduziram sua capacidade produtiva, enquando apenas 6% expandiram suas instalações. Entre abril e junho deste ano, 17% das indústrias pesquisadas informaram redução.
"Essas companhias passaram por um enxugamento forte e agora estão-se ajustando à nova realidade econômica", disse o economista. "A retomada será lenta, com o indicador de capacidade instalada refletindo essa tendência."

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