Buenos Aires, 11 (AE) - Após dois anos com balanças comerciais negativas, em abril a Argentina conseguiu ter um superávit. O saldo foi positivo em US$ 351 milhões de dólares, já que nesse mês as exportações foram de US$ 2,217 bilhões, enquanto que as importações ficaram em US$ 1,866 bilhão. A última vez que a Argentina teve superávit foi em maio de 1997, quando a balança comercial foi positiva em US$ 19 milhões.
No entanto, apesar do anúncio, o superávit não foi comemorado pelos setores econômicos, já que só foi conseguido graças à recessão em que o país está profundamente mergulhado. Por um lado, as exportações caíram 11%, em relação a abril do ano passado. As importações tiveram uma queda maior: 33%. Esta queda foi atribuída ao desaquecimento da economia, e à drástica redução nas compras de bens de capital no exterior.
Em relação ao total dos primeiros quatro meses deste ano, a Argentina teve um déficit de US$ 405 milhões, o que é equivalente a 79% menos do que o déficit ocorrido no mesmo período do ano passado. O déficit foi devido às exportações por US$ 7,284 bilhões (uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado), e importações por US$ 7,689 bilhões (queda de 25% em relação à janeiro-abril de 1998).
Nos primeiros quatro meses do ano, a Argentina conseguiu um superávit de US$ 223 milhões com os outros países-sócios do Mercosul, para os quais exportou US$ 2,122 bilhões e de onde importou US$ 1,899 bilhão. O Mercosul é ainda o único bloco comercial superavitário para a Argentina, já que com a União Européia teve um déficit de US$ 557 milhões. Com os países do Nafta o déficit foi de US$ 775 milhões e com os países asiáticos uma balança comercial desfavorável de US$ 480 milhões.
A União Industral Argentina (UIA), cansada de esperar medidas do governo para combater a recessão, decidiu lançar uma campanha para que os argentinos deixem de comprar produtos importados e passem a consumir produtos nacionais. "Comprar argentino" é o lema que a UIA lançará no 9 de julho, data da independência.
Segundo a UIA, a Chancelaria, o ministério da Economia e a Secretaria de Indústria e Comércio têm uma atitude passiva diante da entrada de produtos importados que fariam concorrência desleal. Em um documento, a UIA alertou o presidente Carlos Menem de que a atual crise "é a pior da década". Os industriais também protestam pelo descaso do governo e a falta de estímulos, que teriam causado a transferência de diversas empresas argentinas às mãos de multinacionais.

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