Santiago, 15 (AE) - A campanha tinha começado bem melhor para o candidato do governo, Ricardo Lagos. Em meados de julho do ano passado, as pesquisas de opinião indicavam que Lagos deveria ganhar com folga já no primeiro turno.
Mas a recessão no Chile, provocada pela crise asiática e acentuada pela retração em outros países latino-americanos consumidores das exportações chilenas, aumentou a insatisfação com o governo. A alta das taxas de desemprego foi simultânea à queda de popularidade do candidato da Concertación.
Depois de registrar taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7% em média ao longo da década de 90, no ano passado o Chile teve um desempenho econômico pífio. O PIB terminou o ano com pequena retração e o desemprego cresceu. Economistas do mercado financeiro e de universidades culparam o Banco Central e o Ministério da Fazenda por "erros de política econômica" que acentuaram a recessão.
O resultado do primeiro turno afetou profundamente o comando de Lagos e provocou uma reviravolta na campanha para o segundo turno. A chefe de campanha passou a ser a ex-ministra Soledad Alvear, a figura do governo com melhor imagem pública. Também mudou o comando da propaganda eleitoral do candidato na tevê, que procurou tornar Lagos mais objetivo e concreto para agradar aos eleitores atraídos pelo atinado marketing político de Joaquín Lavín.
Os assessores do candidato da direita foram buscar idéias do especialista norte-americano em marketing político Dick Morris, que participou da campanha de Bill Clinton. Lagos usou a assessoria de um publicitário francês, Jacques Séguéla.
Semana passada, divulgou-se que a taxa de desemprego na região metropolitana de Santiago já tinha começado a recuar em dezembro
caindo de 14% em setembro para 12% no fim do ano. É possível que a expectativa de uma recuperação econômica em 2000, com crescimento do PIB de até 5%, como esperam os analistas econômicos, possa ajudar a candidatura de Lagos na reta final.
A eleição de amanhã, em termos de porcentuais de votos, é a mais disputada do século 20. Considerando o número de votos, é a mais disputada desde 1970, quando Salvador Allende ganhou de Jorge Alessandri por 37.000 votos. Mas a diferença porcentual naquela eleição foi maior do que a do primeiro turno em 1999. Em 1970, Allende teve 36,22% dos votos, 1,3 ponto porcentual a mais do que o adversário, enquanto a diferença entre Lagos e Lavín foi de apenas 0,44 ponto porcentual.
Além do pleito de 1970, também foi muito disputado o de 1958, entre os mesmos Alessandri e Allende. Desta vez, a vantagem foi de Alessandri, também por uma margem pequena, 33.000 votos ou 2 67 pontos porcentuais. Esta é a primeira vez que o Chile escolherá um presidente num segundo turno - criado pela legislação eleitoral chilena em 1980.
Os comitês dos dois candidatos já preparam as festas de comemoração em caso de vitória e os assessores dos candidatos irão trabalhar em dois hotéis na área central de Santiago, num espaço maior que os edifícios onde estão instalados os comitês. O de Lavín, que fica numa casa elegante do bairro de Providencia
será transferido para o Hotel Crowne Plaza, na Avenida Bernardo OHiggins, a principal da cidade. As atividades do comitê de Lagos, que funciona normalmente em vários andares de um prédio antigo na Avenida Providencia, passarão para o Hotel Carrera, na Praça da Constituição, zona central. Já estão autorizadas pelo Exército comemorações em frente aos hotéis.
Praticamente tudo estará fechado na cidade no dia da eleição. Os bares fecham à meia-noite de sábado por causa da lei seca. A segurança da votação em todas as seções eleitorais é feita pelas Forças Armadas, que já começaram a ocupá-las na sexta-feira.

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