Recessão derruba fluxo de caminhões mas não atinge carros nas rodovias
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 18 (AE) - O desaquecimento que marcou o desempenho da economia até meados de maio, em consequência da desvalorização cambial, afetou de forma diferenciada as rodovias privatizadas no Estado de São Paulo em função do perfil de cada uma. A recessão derrubou o movimento de caminhões pesados, mas não inibiu a circulação dos veículos de passeios que até aumentou, conforme dois exemplos disponíveis. No complexo Anhanguera-Bandeirantes, a concessionária Autoban registrou nos cinco primeiros meses do ano queda de 28% no tráfego de caminhões pesados em comparação com igual período de 98. Já a Nova Dutra, que opera desde março de 96 a rodovia federal que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, registrou queda de apenas 2,3% no movimento de caminhões em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, o peso dos caminhões é bem maior na Dutra que na Anhanguera-Bandeirantes.
No segmento de veículos de passeio, a Nova Dutra projetava para abril deste ano fluxo de 40 mil veículos/dia e registrou movimento diário de 52 mil. Segundo o presidente da concessionária, o aumento se deve às melhorias de condições da estrada, que atualmente, de acordo com pesquisa realizada em fevereiro último, tem aprovação de 93% dos usuários. A Autoban também registrou aumento de 2% no tráfego de veículos de passeio entre janeiro a maio deste ano sobre igual período de 98. A explicação, segundo o diretor da concessionária, é a utilização das rodovias por pessoas que moram no interior e trabalham em São Paulo.
Na Anhanguera-Bandeirantes o movimento de veículos de passeio corresponde a 83% do fluxo total, enquanto que na Dutra os caminhões representam de 55% a 60% do fluxo. Isto explica a disparidade dos percentuais de queda no tráfego pesado em cada uam delas. O diretor de operações da Autoban, Flavio Berthoud, diz que a queda do movimento de caminhões na Anhanguera-Bandeirantes se deve à redução do transporte de produtos de exportação e importação, já que as duas rodovias fazem a ligação entre o interior e o Porto de Santos. Segundo Berthoud, o recuo já representa uma queda de 14,5% na receita bruta da empresa este ano.
Segundo o diretor-presidente da Nova Dutra, Evandro Sarubby, a empresa vem registrando queda do movimento desde o ano passado, como reflexo da crise asiática, no final de 97, e a consequente retração da atividade econômica. Em 98, o recuo do movimento foi de 2,56% e este ano, até maio, já chega a 2,3%. Por enquanto, diz Sarubby, a queda do tráfego não prejudica o andamento das obras da rodovia que já consumiram investimentos de R$ 489 milhões desde o início da concessão.
O presidente da Associação Nacional dos Transportes de Carga (NTC), Romeu Luft, confirma a queda de movimento de cargas no primeiro semestre, embora a entidade não disponha de dados. Segundo Luft, após a desvalorizaçao da moeda e com a ameaça de explosao da inflação, houve uma corrida às compras. De acordo com estimativas da NTC, isso provocou aumento de movimento de quase 50% no volume físico (toneladas) de carga, mas em seguida o quadro se reverteu. O presidente da NTC ressalta que desde a metade do ano passado a crise levou um grande número de empresas a fecharem suas portas, entre elas líderes de mercado como a número um do ranking, a Don Vital e a vice-líder Três Maiense, do Rio Grande do Sul.
A expectativa das concessionárias para este ano é modesta. O diretor de operações da Autoban espera queda de receita de 10% a 15%. Já, a Nova Dutra prevê para 99 o mesmo resultado de 98. "Se conseguirmos manter a estabilidade já estará muito bom", avalia o diretor-presidente da empresa. A Nova Dutra teve receita bruta de R$ 207,119 milhoes em 1997 e R$ 226,449 milhoes no ano passado. A Autoban arrecadou R$ 223 milhoes entre maio de 98 e abril deste ano e investiu R$ 317 milhões.


