Buenos Aires, 10 (AE) - A Argentina teve um superávit comercial de US$ 112 milhões no primeiro semestre deste ano. Este valor tem um profundo contraste com os índices do ano passado, quando no mesmo período, o país teve déficit comercial de US$ 2,17 bilhões. No primeiro semestre as importações foram de US$ 11,838 bilhões, enquanto que as exportações foram de US$ 11,950 bilhões.
Em relação ao ano passado, houve uma queda de 12% nas exportações (US$ 13,57 bilhões entre janeiro e junho de 1998) e uma redução de 25% nas importações (US$ 15, 75 bilhões nos primeiros seis meses do ano passado).
Por esse motivo, o superávit comercial está sendo atribuído à profunda recessão em que o país está mergulhado há mais de um ano. Além disso, a queda no intercâmbio comercial está atingindo a arrecadação de impostos.
Junho, com US$ 196 milhões positivos na balança comercial, foi o terceiro mês consecutivo com superávit. Nesse mês houve uma queda de 8% nas exportações e de 21% nas importações.
Entre janeiro e junho deste ano, a Argentina exportou US$ 3 358 bilhões aos países do Mercosul, o que indicou uma queda de 26% em relação ao mesmo período do ano passado. As importações também caíram: US$ 2,95 bilhões, ou 27% a menos. Desta forma, com US$ 407 milhões a seu favor na balança, a Argentina continuou mantendo superávit com o Mercosul, embora menor que em 1998, quando foi de US$ 549 milhões.
O Mercosul é o único bloco comercial que ainda confere superávit à Argentina, já que possui um déficit de US$ 1,19 bilhão com os países do NAFTA, e de US$ 596 milhões com a União Européia.
O superávit não está sendo amplamente comemorado, já que evidencia os graves sintomas da recessão. Por esse motivo, a Câmara Argentina de Comércio (CAC), reuniu-se com o ministro da Economia Roque Fernández, para informar que a situação do interior do país "é muito complicada".
Segundo Jorge Di Fiori, presidente da CAC, o comércio caiu até em 50% em diversas províncias. O caso mais grave é o da província de Corrientes, na fronteira com o Rio Grande do Sul, onde o comércio teve uma queda de 75%.
Em Rosario, a segunda cidade do país, houve uma redução de 32% na venda de pneus, 25% nos têxteis, 24% na venda de carros, e 14% no consumo de alimentos e bebidas.
Os representantes da CAC pediram a Fernández que sejam eliminados impostos para aqueles que construírem moradias, o retorno sem punições dos capitais de argentinos que estejam hoje no exterior, além de um plano para o financiamento de dívidas fiscais e previdenciárias.

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