Recessão causa drástica queda em déficit comercial
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 09 (AE) - A profunda recessão em que a Argentina mergulhou no início do ano está sendo indicada como a causa para a redução de déficit comercial do país: segundo o Instituto de Estatísticas e Censos (Indec), nos primeiros cinco meses do ano, o déficit foi de US$ 94 milhões, significativamente inferior ao déficit de US$ 1,97 bilhão do mesmo período no ano passado.
Entre janeiro e maio deste ano, as importações chegaram a US$ 9,614 bilhões. As exportações alcançaram US$ 9,520 bilhões. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda das importações foi de 26%, enquanto que a redução nas exportações foi de 13%.
A queda nas vendas ao exterior é atribuída à redução de 14,5% nos preços, já que houve um aumento de 1,7% no volume físico das exportações. Nas importações houve uma redução de 8% nos preços, mas de 19,2% na quantidade comprada. Neste período, um índice demonstrativo do desaquecimento da atividade econômica é a queda nas compras de bens de capital, que entre janeiro e maio caíram 29%, o equivalente a US$ 1 bilhão.
As vendas aos países do Nafta caíram 5%, para a China houve uma redução de 29% e para o Japão, uma queda de 8%. No entanto, houve aumentos nas exportações da União Européia (21%) e Coréia (47%). Nos primeiros cinco meses deste ano, as importações provenientes do Mercosul caíram 40%, desmistificando a tão alardeada invasão de produtos brasileiros após a desvalorização do real. A Argentina teve um superávit de US$ 295 milhões com seus parceiros do bloco comercial. As exportações em conjunto para o Brasil Paraguai e Uruguai foram de US$ 2,703 bilhões, enquanto que as importações foram de US$ 2,408 bilhões.
Os produtos industriais tiveram uma queda de 37% nas vendas ao Mercosul, fato que atingiu duramente as pequenas e médias empresas, que dedicam grande parte de suas vendas aos países vizinhos. Estas empresas também foram atingidas pela redução nas exportações ao Chile, que caíram 23%.
A recessão também fez que em maio a queda nas importações gerais proporcionasse um superávit de US$ 333 milhões. Em abril, o superávit havia sido de US$ 310 milhões.


