Recém-nascidos voltam para perto de suas mães, após serem salvos de incêndio
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 22 (AE) - Quinze dos 24 recém-nascidos que foram salvos do incêndio na Maternidade-Escola Municipal Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo, voltaram hoje para perto de suas mães. Por causa do fogo, provocado por falta de manutenção nos equipamentos, eles haviam sido removidos para um outro hospital. Nove deles foram remanejados na própria maternidade.
Mãe de primeira viagem, Otaciana Francisca Tomé, de 21 anos, pôde finalmente amamentar seu filho, Oscar. Ela só tinha visto o bebê no momento em que ele nasceu, às 23h50 de segunda-feira com 4,6 quilos e 53,5 centímetros. Mal foi para o quarto quando, ainda tonta pela anestesia por causa da cesariana
ouviu uma médica gritar que o berçário pegava fogo. Em meio à correria, funcionários pediam que ela ficasse calma. Não adiantava: seu bebê estava lá.
"Ai, meu filho como você é lindo", dizia hoje, toda embevecida. O garoto foi o único dos bebês a sofrer sérios riscos, mas teve sorte. Ele demorou mais tempo para ser resgatado. Aspirou muita fumaça e só foi encontrado perto de uma poça dágua quando os bombeiros chegaram. Só foi localizado pelo choro. As marcas do seu corpo, envolto em fuligem, ficaram no chão por horas.
Otaciana era toda gratidão aos bombeiros e enfermeiras, que enfeitaram hoje o bercinho do menino só para recebê-lo. Também entendeu a situação do médico João Luiz Vieira, de 67 anos, que arriscou a vida para salvar os recém-nascidos. Na hora do sufoco, Vieira não tinha braços para todos eles e deixou Oscar no chão, para evitar que inalasse fumaça. Apesar do alívio de ter o filho nos braços, ela não escondeu uma certa mágoa das "autoridades". "Foi um acidente, mas é preciso prestar mais atenção". Manutenção - O secretário municipal de Saúde, Jorge Pagura, esteve na maternidade. O diretor-clínico, Marcos Vergueiro Renauld, admitiu aos repórteres que, no ano passado, os equipamentos do hospital não passaram por nenhum tipo de vistoria. Depois, voltou atrás e disse que não poderia responder de maneira precisa. Conforme Renauld relatou ao secretário, a última vistoria foi feita há dois anos por uma empresa contratada pelo hospital. Pagura abriu sindicância interna para averiguar possíveis falhas da administração no episódio. "Está tudo na base do parece", reclamou.
O prédio onde o fogo começou tem 27 anos e necessita de reformas. Elas estavam programadas desde 1997, mas o dinheiro para isso não foi liberado. Pagura disse que teria uma reunião com o prefeito Celso Pitta (sem partido) para tentar a liberação da verba. Segundo ele, a reforma da maternidade custaria R$ 18 milhões, dos quais R$ 6 milhões seriam consumidos apenas nos reparos da parte elétrica. Inspeções - "O problema foi a falta de manutenção", disse hoje o diretor do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru)
Carlos Alberto Venturelli, que a pedido de Pitta vai fazer inspeções em todos os hospitais municipais. Em 1996, vistoria do órgão no hospital constatou várias irregularidades relativas à segurança. Entre outras coisas foi pedida uma reforma geral nas instalações elétricas.
Enquanto os danos do incêndio não forem reparados, o atendimento da maternidade, que tem como característica atender 50% de pacientes de alto risco, diminuirá. O berçário terá capacidade para 44 bebês ante os 52 que eram atendidos. A internação de gestantes diminui dos 52 para 30 leitos, enquanto o setor que cuida de pacientes de alto risco atenderá 10 gestantes, em vez das 12 habituais.


