Pelo menos cinco recém-nascidos foram infectados por uma bactéria resistente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal do Hospital Universitário (HU) de Londrina. Por conta disso, o setor está interditado e a instituição não está realizando mais partos, o que já agravou a superlotação nos outros hospitais.
Segundo a médica Jaqueline Dario Capobiango, médica do Centro de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH) do HU, a presença da bactéria foi confirmada na semana passada, após cultura feita em um bebê com quadro suspeito. Após exames feitos em todas as crianças da UTI neonatal, constatou-se que cinco recém-nascidos estavam infectados. À exceção de um deles, que não apresentou sintomas e aparentemente foi apenas colonizado pela bactéria, os demais desenvolveram pneumonia.
''Eles estão sob cuidados e respondendo ao tratamento. Enquanto isso, estamos fazendo limpeza do ambiente, controlando o uso de antibióticos, utilizando luvas e aventais e incentivando mais a lavagem das mãos'', enumerou. Outros dois bebês que tiveram laudo negativo continuam internados no setor. ''Uma vez que eles estão ali, ainda existe o risco. Mas não há um local isolado para colocá-los e transferi-los seria arriscado, porque ainda pode haver cultura positiva'', ponderou. Novos exames serão feitos semanalmente.
Jaqueline afirmou que a ''maior justificativa'' para o problema é a superlotação. Com 7 leitos de UTI neonatal, o HU está atendendo 9 recém-nascidos - dois foram alojados no espaço da Unidade de Cuidados Intermediários (UCI). ''Isso demonstra que estão faltando leitos. Com a unidade superlotada, o número de funcionários se torna insuficiente e a qualidade do atendimento cai'', alegou.
A interdição do setor não tem prazo definido. ''Achamos mais seguro fechar a unidade até que a bactéria seja eliminada. Isso é imprevisível, às vezes leva mais de um mês'', adiantou a médica. Ela pede que as gestantes não se dirijam ao HU até que o problema se resolva.
A superlotação dos leitos infantis em Londrina se agravou com o fechamento, no último dia 1º, de metade das vagas do Hospital Infantil (HI), administrado pela Irmandade Santa Casa (Iscal). A medida foi tomada depois que vários plantonistas pediátricos pediram demissão, devido à baixa remuneração oferecida pelo SUS. A diretoria anunciou que deverá reabrir os cinco leitos fechados, graças a um aumento da verba repassada pela prefeitura, mas isso só deve ocorrer no início do mês que vem.
Atualmente, o município conta com 20 leitos de UTI neonatal pelo SUS - sete no HU, cinco na Santa Casa e oito no Hospital Evangélico (HE). Todos estão atendendo na capacidade máxima ou excedente.

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