São Paulo, 08 (AE) - Em vez da contabilidade de todo dia
ao voltar do almoço, hoje, a auxiliar de escritório Paula Faria Dias Cruz, de 32 anos, recebeu uma tarefa que ela desempenhou com emoção e muita competência: amamentar um bebê. Mãe de um menino e cinco meninas, uma delas com 3 meses, Paula deu de bom grado o peito à pequena Gabriela, que berrava de fome no SOS Criança, onde ela trabalha. O bebê, provavelmente de 4 dias, foi encontrado no banco de um Fiorino verde que estava no estacionamento do pronto-socorro do Jardim Macedônia, na zona sul de São Paulo.
O dono do carro, João Batista Cordeiro, tinha levado a mulher, que passara mal, ao médico. Na saída, a surpresa e o susto. Enrolada em cobertores, a criança dormia. Apavorado, Cordeiro chamou a polícia. O soldado Simões, da Polícia Militar, "conduziu" o bebê ao 47.º Distrito Policial e, depois de lavrada a ocorrência, ao SOS Criança. Lá, na Rua Piratininga, 85
o bebê tomou banho, ganhou colo dos educadores, uma mamada e um nome "atribuído". Deixou de ser RN (recém-nascido) e tornou-se Gabriela. Mas só chorava.
"Estava todo mundo atrás de mim, porque tinha um bebezinho com fome", contou Paula. "Dei o peito e ela não parou de sugar, mamou direto", disse, feliz. Paula voltou a trabalhar há duas semanas, cheia de leite. Sua filha menor, Clarissa, fica aos cuidados de uma sobrinha. Toma leite B porque não gostou do Nanon. Os outros vão para a escolinha. O dia todo, na hora certa de o bebê mamar, o leite de Paula jorra. Ela o tira dos seios com uma bomba e guarda na geladeira para o dia seguinte. Às vezes não dá para aproveitar. "Acho ruim ter de jogar fora um leite bom".
Amamenta a filha antes das 7 horas. "Deixo ela mamar bastante". Sai para o trabalho e volta à noitinha para casa, no Jardim Caxingui, zona sul. "Aí dou de mamar de novo", contou. "Tenho muito leite e sinto muita falta de amamentar o meu nenê". Hoje, assim que acabou de mamar, Gabriela foi levada para uma unidade da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), no Jardim Umuarama, que abriga crianças de zero a 5 anos. "Senti um aperto, uma saudade, se pudesse levava pra casa: quem cuida de seis cuida de sete". Apuração - Segundo a juíza Maria Olívia Alves de Azevedo Silva, titular da Vara da Infância e Juventude de Santo Amaro, será feita uma investigação em caráter de urgência para tentar descobrir a família da criança. "Às vezes não se trata de abandono", disse. Ao mesmo tempo vai ser feito um registro de nascimento com os poucos dados disponíveis. Caso seja constatado o abandono e ninguém da família se interessar em recebê-la, Gabriela será encaminhada para adoção.

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