Recém-nascida é abandonada em balde
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Uma menina recém-nascida foi encontrada ontem de manhã dentro de um balde em uma residência em Sabáudia (65 km ao oeste de Londrina). Segundo informações levantadas pela polícia de Sabáudia, o balde era usado pela família para defecar. ''A neném ainda estava com o cordão umbilical, suja de sangue e placenta, e com um cachorro rodeando e lambendo. Foi horrível'', relatou Clodoaldo de Souza, chefe do posto de identificação da delegacia local. Uma criança da família avisou sua esposa, que o informou do fato.
O balde estava em uma espécie de dependência nos fundos de uma casa no bairro Primavera. Souza afirmou que a mãe, Andréia da Silva Nascimento, de 30 anos, a princípio negou o nascimento da criança, mas depois confessou que o parto ocorreu quando ela tinha ido defecar. ''Quando eu fui verificar o ocorrido a mãe estava retornando de uma casa vizinha, e ainda veio perguntando o que eu estava fazendo ali'', indignou-se. De acordo com Souza, Andréia tem outros cinco filhos.
A criança foi socorrida por duas auxiliares de enfermagem do hospital local, que imediatamente entrou em contato com o Hospital Regional João de Freitas, em Arapongas, onde uma equipe médica a recebeu às 8h20. O médico Rodrigo Cezar de Faria, que prestou os primeiros atendimentos, informou que a menina de 2,53 Kg e 44 centímetros está em perfeitas condições de saúde. ''Saber que ela estava bem até deu forças à nossa equipe, que estava muito emocionada com a situação'', comentou.
A gerente do serviço de enfermagem do hospital, Vanda Faneco, também integrou a equipe que ficou de prontidão à espera da criança. Com 27 anos de profissão, ela contou que se assustou e ficou muito preocupada com as condições em que a criança chegou. ''Ela estava cianótica, hipotérmica, toda molhada e ainda envolta na placenta. Estava tão apática que já nem chorava mais. A primeira providência foi envolvê-la em cobertores que deixamos pré-aquecidos, e encaminhá-la para os cuidados médicos. Só quando constatamos que ela estava bem de saúde é que demos um banho e a alimentamos'', relatou.
Logo depois que chegou ao hospital, a garotinha, que já está sendo chamada no hospital de Vitória, começou a ganhar presentes - fraldas e roupinhas - das enfermeiras e médicos. ''Ela deve saber que todos nós já nos apaixonamos por ela. É gratificante vê-la assim, tão bem'', comentou Vanda Faneco. Ela acredita que se não tivesse sido salva, em duas ou três horas poderia ter ido a óbito por hipotermia. ''Ainda bem que não choveu, senão poderia ter morrido afogada.''


